Mudanças, Movimentos Criativos

Existe algo deliciosamente surpreendente implícito nas mudanças. Por vezes, uma singularidade com o toque de expectativa, trazendo os ingredientes bombásticos que promovem alterações. Outras vezes a suavidade doce de alterações que nos chegam de mansinho, e tão de mansinho nos chegam, que custamos a reconhecer sua presença.

Assim, a mudança pode ser decodificada como um movimento. Se disso tivéssemos clareza não haveria motivo para temer ou fugir quando a mudança viesse nos cortejar. Observamos a nossa volta quem a ignore ou dela se esconda, para não correr o risco de ser por ela envolvida! Não raras vezes nos vemos em situações semelhantes, lutando com determinação para afastar mudanças que nos chegam sem aviso prévio ou que chegam de modo diferente do que prevíamos.

Esse balanço da vida, movimento natural, é criativo e segue uma lógica toda própria. Podemos nos valer da famosa Lei do químico francês Lavoisier, que afirma: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Ela nos alerta para o fato de que tudo está em constante movimento.

Parece-me que o segredo da vida está na imprevisibilidade, na possibilidade do revirar-se tudo de um momento para outro e assim gerar, como num caleidoscópio, uma infinidade de alternâncias em nossa rotina.

Se a mudança será de nosso agrado ou não é outra questão, mas que ela trará sempre o impulso da criação, isso não podemos negar. Sendo ela movimento criativo, talvez possamos interferir, em alguma medida, de modo a transformar a mudança em algo que nos favoreça.

Muito se tem falado sobre mudanças e alguns condicionamentos já se cristalizaram por conta de tanta especulação. No entanto o que devemos refletir é que, quem sabe não seja a mudança em si o que nos assuste ou nos deixe desconfortável.

Existem fortes indícios de que o que aciona reações negativas em relação às mudanças é na verdade a consciência de que teremos de alterar nosso comportamento. Portanto, o que precisaremos mudar em nós, em nossos hábitos, em função da mudança, é o que realmente nos incomoda.

Numa primeira análise pode-se ter a idéia de que tanto faz uma coisa como outra. Mas no momento em que nos detemos a esmiuçar com interesse esta idéia poderemos nos surpreender e reagir de forma totalmente positiva.

Se o que está chegando de novo em nossa vida não é o que realmente tememos, passamos a olhar para a mudança com os olhos brilhantes, inocentes, curiosos, desejando com simplicidade descobrir o que esta situação nova poderá nos trazer. Se nos concentramos nesta observação, o receio de sair da zona de conforto cessa e perde a força sobre nossas emoções. Há um hiato entre a chegada da mudança e nossa resposta a ela. No momento em que nos assenhoreamos de nosso sentir, temos o controle da situação e ai sim, podemos exercer livremente, com dignidade, nossa escolha. Neste instante a razão se sobrepõe, o sentir se ajusta e a vontade manifesta-se como atitude.

Desta forma, nos alinhamos ao movimento da vida e, sendo a mudança parte criativa deste movimento, nos sintonizamos com o impulso criativo, o que nos leva a lidar com ela sem rejeição ou temor.

Talvez valha a pena refletir até que ponto exercemos com firmeza e convicção a liberdade da escolha.  Em situações de crise, de mudanças bruscas ou indesejáveis, pode ser que nos coloquemos em zona neutra e assim abrimos mão da liberdade de decidir sobre nosso destino, julgando que a vida determina, sem nosso consentimento, tudo que nos irá acontecer.

Ainda acredito piamente que, se não temos poder sobre tudo o que nos cerca, temos poder sobre nós mesmos. Não podendo interferir no que acontece conosco, podemos, sem dúvida, decidir sobre o que fazer com o ocorrido. Nossas reações estão sob nosso comando, quer saibamos disso ou não. Decidir o que fazer em relação ao que nos acontece é o diferencial que distingue o vencedor!

Os que não reagem proativamente às mudanças buscam sempre desculpas que justificam suas perdas e não raramente esperam que  o mundo cultue sua desgraça. Já os que se apercebem desta regra fundamental da vida, estes buscam soluções para suas perdas e não raramente se recuperam de maneira espantosa, independente de tudo que fizeram até então. Adaptabilidade, flexibilidade, coragem e ousadia são ingredientes necessários para aquele que deseja Viver e não Sobreviver.

O poder de escolha está ligado a nossa capacidade de aceitação, de compreensão em relação às mudanças, e nos conduzem a caminhos surpreendentes.

O que precisamos é aprender a utilizar esse poder, não abrir mão deste atributo que nos foi dado como parte inerente de nossa natureza. Só assim nos responsabilizaremos por nós mesmos, conquistando o legitimo direito de ser feliz.

Que tal enfrentar as mudanças com esta disposição?!        Priscila de Loureiro Coelho

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