Muita Aparência Pra Bem Pouca Consistência!

Muita Aparência Pra Bem Pouca Consistência

Praticamente impossível não surgir ao menos um assunto incluindo o tema “relacionamentos” numa rodinha de bate-papo, seja entre homens, mulheres ou os dois juntos.

É de praxe falar sobre um casal conhecido, a própria relação ou sobre causos ouvidos. Ou seja, a grande maioria das pessoas sempre tem uma opinião, uma história ou uma experiência vivida que inclui afeto, amor, paixão e todos os sentimentos consequentes.

Acontece que, cada vez mais, tenho tido a impressão de que o que se fala não é exatamente o que se sente. Ou melhor, a maneira com que se tem falado das situações que envolvem o coração é bem destoante do modo com que se tem vivido os sentimentos.

A meu ver, temos maquiado nossas palavras e colocações a fim de mostrá-las seguras, cheias de certezas, tão certas a ponto de tornarem-se inflexíveis, ao menos aparentemente. Parece-me que estamos convencidos de que precisamos provar que temos uma autoconfiança e uma autoestima imbatíveis, indestrutíveis, sobre-humanas talvez.

Mas estou certa de que a realidade não é bem essa! Na solidão de cada quarto, no consolo de um ombro amigo, nas confissões feitas nos divãs e até na busca esperançosa nos templos, igrejas e orações, fica evidente que há bem pouca consistência nesta aparente perfeição.

Mais do que isso, a fragilidade e os intermináveis questionamentos que rondam tantos corações estão gritando em cada relação vivida e até mesmo naquelas não-vividas. A carência, o medo de sofrer, dúvidas sobre o que fazer e como agir revelam o quanto o ego de tanta gente está bem maior do que sua consciência.

Por quê? Suponho que elas têm tentado – a todo custo – tão somente se defender. Entretanto, de tão defendidas, de tão cheias de couraças, escudos e máscaras, terminam subjugando sua essência e, portanto, se distanciando daquilo que realmente sentem.

Creio que a autopercepção seja um bom primeiro passo. Observarmos aquilo que estamos dizendo, pensando ou fazendo é uma maneira eficiente de constatarmos o quanto nossas palavras têm estado desafinadas com o que carregamos no peito.

Frases carregadas de prepotência, do tipo “eu sou assim e pronto”, “se quiser, ele (ou ela) que mude de ideia”, “ninguém vai mandar em mim”, entre outras, só servem para encorpar um orgulho que não nos preenche e nem nos satisfaz.

Que a partir de agora, possamos admitir mais: “não sei”, “talvez eu tenha mesmo que mudar de ideia”, “quem sabe eu esteja enganado?”, “estou confuso, com medo, precisando de ajuda”…

E que assim, bem mais consistentemente humanos, possamos nos encontrar num abraço maior que nossos próprios braços, que nos acolha não porque parecemos sempre certos, mas porque somos sempre ‘gente’… e gente precisa de afeto!  Rosana Braga

2 Responses to Muita Aparência Pra Bem Pouca Consistência!

  1. Grande Profa. Rita
    super grata
    Eu concordo, plenamente, com você…pois existem pessoas…que se julgam …”donas do mundo”.
    e isto só lhes faz mal…mas elas não têm esta conscieiência …e sua auto-estima é tão “grande”…que supera qualquer discernimento!!!
    E sei que isto só as afasta de outras pessoas, que são mais humildes, não como “simplórias”…mas que não precisam se auto-elogiar…ou se considerarem “certas…perfeitas…sabem tudo… donas da verdade…”
    E se seu caminho tocar o de outra pessoa como ela…aí dá “curto circuito”
    E começa “a pegar fogo… e brigas…revanches… estimula que a outra se sinta vitimizada…e queira se vingar…enfim, é um péssimo comportamento. E “leva nada a coisa nenhuma”.
    Valeu!!! Mil vezes, valeu!!!
    Grande abraço…hoje e sempre.
    Da eterna admiradora,
    Lilian cury

    • Obrigada, Lilian…
      Contar com você aqui no site sempre é algo muuito bom mesmo!!!
      Saiba que a admiração é recíproca.
      Obrigada e um grande beijo
      Prof. Rita Alonso

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *