Não Deixem o Bastão Cair!

Muitos autores, consultores e empresários costumam fazer analogias entre o mundo corporativo e os esportes. Capitão, equipe, líder, recordes são alguns dos termos comumente usados em corredores e salas de reunião das empresas. Não é à toa que vários esportistas campeões, técnicos de times ou atletas olímpicos se tornaram palestrantes e estão levando às empresas e colaboradores suas experiências e estratégias vencedoras.Qual empresário não gostaria de conquistar o que o Bernardinho e sua equipe já conquistaram? Quantos gerentes não gostariam de erguer um troféu de campeão? E quantos trabalhadores não gostariam de ganhar tanto quanto o “fenômeno”? Pensando em qual modalidade de esporte seria um modelo perfeito para uma empresa, e em quais estratégias esportivas poderíamos nos inspirar, cheguei às seguintes conclusões:

A grande maioria das empresas possui mais de um funcionário. Então, no mínimo, deveríamos compará-la a uma dupla de tênis ou vôlei de praia. Embora muitos funcionários achem que estão disputando o campeonato individualmente, a empresa deve ser comparada a um esporte coletivo. Então, não temos UM funcionário. Temos uma equipe de colaboradores. E funcionário que pensa somente no individual não funciona para a empresa, nem para os clientes. Ninguém alcança sucesso sem ajuda de outras pessoas.

Mas, qual modalidade esportivo-coletiva serviria como analogia perfeita para uma empresa ideal? Na minha humilde opinião, uma equipe de corrida de revezamento. Por quê? Em primeiro lugar, todos devem dar o melhor de si para a equipe ganhar. Se um não corresponder ou parar no meio da raia, todos perdem. Não ganha a equipe que tem o melhor velocista, mas aquela que tem o melhor conjunto de velocistas. O que sua empresa precisa, e seus clientes esperam, é uma equipe recordista.

Nenhuma equipe chega muito longe dependendo apenas de uma pessoa, por mais genial ou competente que ela seja. Enquanto a maioria não estiver preparada, motivada, comprometida e determinada, não teremos uma equipe vencedora. Pouco adiantaria colocar usain bolt (recordista mundial dos 100 metros) numa equipe de revezamento com corredores “tartarugas”. Uma empresa não é um indivíduo, divisão ou repartição. Ela é um todo! Usain bolt é único, mas não é tudo.

Em segundo lugar, como o próprio nome diz, a corrida é de revezamento, ou seja, cada um terá sua vez para empunhar o bastão, correr o máximo que puder e entregá-lo na mão do companheiro. Todos são responsáveis pela posse e condução do bastão e devem dedicar máxima atenção possível para que ele não caia. Quem é o bastão? Advinha! O cliente, claro! E o que significaria essa atenção e cuidado especial? Isso! Atendimento excelente.

Terceiro lugar, em toda corrida de revezamento existe um espaço para a passagem do bastão. Ou seja, ninguém deve passar adiante o cliente (bastão) nem tão rápido (sem prestar o mínimo atendimento), nem tão tarde (atrasar o atendimento). Assim como você não vê um atleta arremessando um bastão para o próximo corredor, um cliente jamais deve ser jogado, como batata quente, sem ter seu problema resolvido, ou necessidade atendida.

Em quarto lugar, vocês já devem ter observado que numa corrida de revezamento um corredor jamais espera o bastão parado. Quando percebe que o bastão se aproxima, o atleta começa a correr para não comprometer o resultado. Ou seja, antecipação, pró-atividade! E o que acontece quando o bastão chega a sua mão? Ele acelera ainda mais para garantir a liderança ou para conquistar posições – vantagem competitiva!

Finalmente, o que acontece quando o bastão cai (perda de clientes)? A equipe sofre e perde posições, pois não consegue voltar para pegar o bastão e ainda acompanhar os concorrentes. Tampouco adianta alguma equipe tentar invadir a raia do adversário ou passar o bastão fora da área reservada. Qualquer atitude antiética é devidamente punida pelos fiscais de prova. Quem são os fiscais das empresas? Clientes, PROCON, Imprensa, Ministério Público, internet, propaganda boca a boca…

Resumindo, desde o primeiro que larga até o último que cruza a linha de chegada, desde o vendedor ao estoquista, da recepcionista ao diretor da empresa, não importa a posição nesse revezamento, todos têm sua vez e devem dar o máximo de si mesmos, além de não deixar o bastão cair – comprometer o atendimento e perder o cliente. Diferentemente do atletismo, seus concorrentes poderão pegar todos os bastões que você deixar cair pelo caminho. No final das contas, embora o bastão pareça um detalhe ele é a razão de toda a corrida.
Não deixem o bastão cair!
Marcos Antonio de Sousa, graduado em Engenharia Eletrônica e MBA em Administração de Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista em vários cursos nacionais e internacionais de vendas para o mercado de segurança eletrônica. Atua como consultor de Marketing, Vendas e Estratégia Empresarial para as empresas do ramo de segurança. Consultor da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE). Conferencista em eventos realizados pela FENAVIST (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores). Colunista da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG). Palestrante nos principais congressos, simpósios e eventos de segurança eletrônica e privada do país. Articulista no Jornal da Segurança e SegNews, nas revistas Proteger, Venda Mais, Infra, Segurança&Cia, SESVESP, Security, Higi Press (ABRALIMP) e Negócio Fechado (Japão). Autor do livro: Vendendo Segurança com Segurança. marcos@consultesousa.com – www.marcossousa.com.br

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