Novos Paradigmas: Como Fazer Para Se Tormar Um Líder Que Serve

O engenheiro paulistano e consultor Roberto Ziemer se especializou em estudar a cultura das empresas. “A cultura de uma organização é o novo diferencial competitivo. Quanto mais alinhada ela estiver com os valores de cada funcionário, melhor essa empresa é. Melhor também será a satisfação de seus colaboradores”, diz. Existem evidências, afirma o consultor, de que há forte correlação entre alinhamento de valores, eficiência organizacional e sucesso financeiro. A reportagem A Cruzada da IBM, publicada na edição de abril da VOCÊ S/A, mostra o trabalho que a gigante do setor de tecnologia está fazendo para alinhar os valores dos seus funcionários aos da empresa. Os primeiros resultados já são mensuráveis. Desde que a primeira faísca da gestão de valores foi detonada na IBM, em julho de 2003, as pesquisas periódicas de clima interno apontam um aumento no nível de satisfação dos colaboradores. De 2002 para 2004, o índice de satisfação dos funcionários, medido pela IBM, cresceu oito pontos. O lucro da empresa também não pára de crescer, saltando de 81,2 bilhões de dólares, em 2002, para 96,3 bilhões, em 2004.

Por trás das transformações que estão em curso na IBM, há uma tendência em gestão que deve ganhar força nos próximos anos (leia reportagem O Líder Espiritualizado e Faça como Jesus, acessando os links ao lado). O movimento é capitaneado por executivos que não tem vergonha de levar a palavra amor para o universo executivo e acreditam que o sucesso profissional passa pela consciência do seu papel no mundo. Segundo Roberto Ziemer, para se tornar um líder servidor o profissional precisa evoluir o seu nível de consciência. Ele precisa se libertar de seus medos (que focam o interesse próprio), passar por um período de transformação pessoal (da insegurança a confiança) e então se abrir para a sua missão pessoal e compartilhá-la com os outros. “Antes de aprender a lidar com seus medos o profissional terá sempre uma postura de gerente, independente de seu nível hierárquico”, diz.

Veja abaixo os sete níveis de consciência que levam à liderança servidora. Os três primeiros ilustram o caso de profissionais preocupados em criar uma organização financeiramente estável. No nível de transformação, descrito como o profissional facilitador/influenciador (nível 4), o líder muda de postura. Sua filosofia passa a ser promover um clima de aprendizagem contínua que consiga responder às mudanças no ambiente interno e externo. O foco principal nos três níveis superiores é criar uma visão, missão e valores para a organização. Esse objetivo é mais claro para o Líder que serve, nível 7. Confira.

Nível 1: O Diretor de Crises/Autocrata

Aspecto Positivo: um dos mais importantes atributos de um líder é a habilidade para lidar com situações de crise. Quando a sobrevivência da organização está ameaçada, ele precisa saber como assumir o controle da situação e tomar decisões difíceis e, ao mesmo tempo, permanecer calmo. Em tais situações um líder precisa assumir o papel de um autoritário.

Aspecto Limitante: freqüentemente, a razão por trás do autoritarismo é a dificuldade de se relacionar com as pessoas de uma forma aberta e respeitosa. Autocratas não estão acostumados a pedir o que necessitam, pois se sentem mais à vontade dando ordens. Eles têm medo de abrir mão do poder, pois têm grandes dificuldades em confiar nos outros. No caso de se sentirem inseguros em relação à sobrevivência (relação com dinheiro), eles irão explorar os outros para seu próprio benefício. Autocratas podem criar um clima de trabalho emocionalmente insalubre.

Nível 2: O Gerente de Relacionamento

Aspecto Positivo: são chefes que prezam relações harmoniosas de trabalho. Eles são especialistas em comunicação e usam seu charme pessoal para fortalecer a lealdade com seus funcionários.

Aspecto Limitante: se um líder se sente inseguro em relação a ser gostado pelos outros (o que denota um sentimento subconsciente de rejeição), ele pode se tornar manipulador.

Nível 3: O Gerente/Organizador

Aspecto Positivo: são gerentes que trazem a lógica e ciência para o seu trabalho. São focados em resultados, em sistemas e processos que criam ordem e eficiência e aumentam a produtividade.

Aspecto Limitante: quando a necessidade de auto-estima do gerente é dominada por medos subconscientes (pelo fato de se sentir inferior aos outros), ele pode se tornar muito ambicioso e competitivo. Aí, ele se torna obcecado por status/posição, e fará tudo para ampliar suas áreas de controle e poder.

Nível 4: O Facilitador/Influenciador

São exemplo de renovação contínua e transformação. Eles estão aprendendo a se libertar de seus medos, o que permite que sejam capazes de se comportar com base numa referência interna (auto-referentes), ao invés de externa (o outro como referência). São flexíveis, adaptáveis e comprometidos com a aprendizagem contínua.

Os facilitadores estão no processo de transformação – deixando de ser gerentes para se tornarem líderes.

Nível 5: O Integrador/Inspirador

O Integrador/Inspirador trabalha para criar uma visão organizacional que traga significado para a vida das pessoas. Eles criam coesão e um espírito de comunidade ao gerar um sentido de coerência para a organização. Eles criam confiança e comprometimento entre as pessoas, e propiciam um ambiente que facilita a criatividade. Vão em busca de um trabalho que esteja alinhado com seus propósitos e paixão – conseqüentemente, eles estão comprometidos e entusiasmados com o que fazem. Inspiradores são especialistas em ajudar as pessoas a expressarem o seu melhor.

Nível 6: Mentor/Parceiro

Mentores/parceiros são motivados em fazer a diferença e estar a serviço daqueles a quem lideram. Eles servem à organização ao criar parcerias e alianças estratégicas com outras empresas. Reconhecem a importância de proteger o ambiente e ultrapassam as exigências das leis para tornar as operações da empresa seguras em termos ecológicos. São bons mentores e coaches. Eles criam ambientes regidos pela colaboração mútua.

Nível 7: Servidores

São motivados pela necessidade de estar a serviço do mundo. Eles estão constantemente perguntando, “Como posso ajudar?”. Eles desenvolveram uma visão global. Eles vêem a própria missão e a da organização sob uma perspectiva social. Eles se preocupam com a situação mundial – a paz, a justiça, a ética e a ecologia. Eles também se preocupam com o legado que estamos deixando para as gerações futuras. Necessitam de um tempo a sós para refletir sobre suas prioridades, e tem facilidade para lidar com as incertezas. São admirados pela sabedoria e pelo comprometimento com a responsabilidade social e a ética.

Novos Paradigmas

O consultor paulistano Roberto Ziemer aponta os caminhos para você se tornar um líder servidor

Por José Eduardo Costa

O engenheiro paulistano e consultor Roberto Ziemer se especializou em estudar a cultura das empresas. “A cultura de uma organização é o novo diferencial competitivo. Quanto mais alinhada ela estiver com os valores de cada funcionário, melhor essa empresa é. Melhor também será a satisfação de seus colaboradores”, diz. Existem evidências, afirma o consultor, de que há forte correlação entre alinhamento de valores, eficiência organizacional e sucesso financeiro. A reportagem A Cruzada da IBM, publicada na edição de abril da VOCÊ S/A, mostra o trabalho que a gigante do setor de tecnologia está fazendo para alinhar os valores dos seus funcionários aos da empresa. Os primeiros resultados já são mensuráveis. Desde que a primeira faísca da gestão de valores foi detonada na IBM, em julho de 2003, as pesquisas periódicas de clima interno apontam um aumento no nível de satisfação dos colaboradores. De 2002 para 2004, o índice de satisfação dos funcionários, medido pela IBM, cresceu oito pontos. O lucro da empresa também não pára de crescer, saltando de 81,2 bilhões de dólares, em 2002, para 96,3 bilhões, em 2004.

Por trás das transformações que estão em curso na IBM, há uma tendência em gestão que deve ganhar força nos próximos anos (leia reportagem O Líder Espiritualizado e Faça como Jesus, acessando os links ao lado) . O movimento é capitaneado por executivos que não tem vergonha de levar a palavra amor para o universo executivo e acreditam que o sucesso profissional passa pela consciência do seu papel no mundo. Segundo Roberto Ziemer, para se tornar um líder servidor o profissional precisa evoluir o seu nível de consciência. Ele precisa se libertar de seus medos (que focam o interesse próprio), passar por um período de transformação pessoal (da insegurança a confiança) e então se abrir para a sua missão pessoal e compartilhá-la com os outros. “Antes de aprender a lidar com seus medos o profissional terá sempre uma postura de gerente, independente de seu nível hierárquico”, diz.

Veja abaixo os sete níveis de consciência que levam à liderança servidora. Os três primeiros ilustram o caso de profissionais preocupados em criar uma organização financeiramente estável. No nível de transformação, descrito como o profissional facilitador/influenciador (nível 4), o líder muda de postura. Sua filosofia passa a ser promover um clima de aprendizagem contínua que consiga responder às mudanças no ambiente interno e externo. O foco principal nos três níveis superiores é criar uma visão, missão e valores para a organização. Esse objetivo é mais claro para o Líder que serve, nível 7. Confira.

Nível 1: O Diretor de Crises/Autocrata

Aspecto Positivo: um dos mais importantes atributos de um líder é a habilidade para lidar com situações de crise. Quando a sobrevivência da organização está ameaçada, ele precisa saber como assumir o controle da situação e tomar decisões difíceis e, ao mesmo tempo, permanecer calmo. Em tais situações um líder precisa assumir o papel de um autoritário.

Aspecto Limitante: freqüentemente, a razão por trás do autoritarismo é a dificuldade de se relacionar com as pessoas de uma forma aberta e respeitosa. Autocratas não estão acostumados a pedir o que necessitam, pois se sentem mais à vontade dando ordens. Eles têm medo de abrir mão do poder, pois têm grandes dificuldades em confiar nos outros. No caso de se sentirem inseguros em relação à sobrevivência (relação com dinheiro), eles irão explorar os outros para seu próprio benefício. Autocratas podem criar um clima de trabalho emocionalmente insalubre.

Nível 2: O Gerente de Relacionamento

Aspecto Positivo: são chefes que prezam relações harmoniosas de trabalho. Eles são especialistas em comunicação e usam seu charme pessoal para fortalecer a lealdade com seus funcionários.

Aspecto Limitante: se um líder se sente inseguro em relação a ser gostado pelos outros (o que denota um sentimento subconsciente de rejeição), ele pode se tornar manipulador.

Nível 3: O Gerente/Organizador

Aspecto Positivo: são gerentes que trazem a lógica e ciência para o seu trabalho. São focados em resultados, em sistemas e processos que criam ordem e eficiência e aumentam a produtividade.

Aspecto Limitante: quando a necessidade de auto-estima do gerente é dominada por medos subconscientes (pelo fato de se sentir inferior aos outros), ele pode se tornar muito ambicioso e competitivo. Aí, ele se torna obcecado por status/posição, e fará tudo para ampliar suas áreas de controle e poder.

Nível 4: O Facilitador/Influenciador

São exemplo de renovação contínua e transformação. Eles estão aprendendo a se libertar de seus medos, o que permite que sejam capazes de se comportar com base numa referência interna (auto-referentes), ao invés de externa (o outro como referência). São flexíveis, adaptáveis e comprometidos com a aprendizagem contínua.

Os facilitadores estão no processo de transformação – deixando de ser gerentes para se tornarem líderes.

Nível 5: O Integrador/Inspirador

O Integrador/Inspirador trabalha para criar uma visão organizacional que traga significado para a vida das pessoas. Eles criam coesão e um espírito de comunidade ao gerar um sentido de coerência para a organização. Eles criam confiança e comprometimento entre as pessoas, e propiciam um ambiente que facilita a criatividade. Vão em busca de um trabalho que esteja alinhado com seus propósitos e paixão – conseqüentemente, eles estão comprometidos e entusiasmados com o que fazem. Inspiradores são especialistas em ajudar as pessoas a expressarem o seu melhor.

Nível 6: Mentor/Parceiro

Mentores/parceiros são motivados em fazer a diferença e estar a serviço daqueles a quem lideram. Eles servem à organização ao criar parcerias e alianças estratégicas com outras empresas. Reconhecem a importância de proteger o ambiente e ultrapassam as exigências das leis para tornar as operações da empresa seguras em termos ecológicos. São bons mentores e coaches. Eles criam ambientes regidos pela colaboração mútua.

Nível 7: Servidores

São motivados pela necessidade de estar a serviço do mundo. Eles estão constantemente perguntando, “Como posso ajudar?”. Eles desenvolveram uma visão global. Eles vêem a própria missão e a da organização sob uma perspectiva social. Eles se preocupam com a situação mundial – a paz, a justiça, a ética e a ecologia. Eles também se preocupam com o legado que estamos deixando para as gerações futuras. Necessitam de um tempo a sós para refletir sobre suas prioridades, e tem facilidade para lidar com as incertezas. São admirados pela sabedoria e pelo comprometimento com a responsabilidade social e a ética.   VOCÊ S.A.

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