O Caso Do Presente De Natal

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Ele abraçou o enorme pacote feito com papel colorido e enfeitado de fita cheirosa. Desceu a rua com seus passinhos curtos arrastando o chinelo surrado e foi enfeitando o caminho com seu sorriso de criança contente.

Entrou em casa gritando pela mãe e sacudindo o pacote pelos ares. A mãe veio ver. Os irmãos também.

Abriu a caixa e descobriu que tinha ganhado um jogo do padrinho. Um jogo colorido, cheio de desenhos bonitos, com dados, fichas e bolinhas.

Sentiu-se senhor importante, dono de um brinquedo. E poderia convidar os amigos para jogar. E convidou mesmo, mas fez um por um lavar as mãos e enxugarem direitinho, antes.

O Natal passou. E lá foi ele capinar junto com o pai. De vez em quando no suor da tarde, vinha-lhe a ideia do brinquedo e os suores do cansaço eram esquecidos.

Nas noites gostosas de dezembro ficava jogando, até quando o sono vinha pedir ordem para chegar.

Jogou por muito tempo e nem percebia que o brinquedo ficava velho, os desenhos perdiam as cores e o encantamento, e o cheiro da novidade não existia mais. Mesmo assim era o importante dono do brinquedo que divertia as crianças da vizinhança.

Uma tarde chegou o corpo pedindo banho e teve o rosto banhado de lágrimas. Viu o irmão (o menor de todos) rasgando seu precioso brinquedo lá no fundo do quintal. Berrou, bateu os pés, e a mãe no desespero de não saber para que lado acudir, quase lhe jogou o tacho de sabão na cabeça.

Nesse dia foi o mais infeliz dos meninos. Deitou cedo e as últimas lágrimas molharam seu travesseiro.

Isso faz um tempão que aconteceu. E ele não esqueceu de tudo isso.

Mas seja lá como for, tomara que nesse Natal ganhe novamente um brinquedo, porque quando a gente é criança, é muito importante ser o dono de um brinquedo.

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