O Estigma Da Timidez

timidez

“O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência como o mármore não talhado é rico em escultura”. (Aldous Huxley)

Carl Gustav Jung descobriu que cada indivíduo pode ser caracterizado como sendo primeiramente orientado para seu interior ou para o exterior, sendo que a energia dos introvertidos se dirige em direção ao seu mundo interno, enquanto a energia do extrovertido é mais focalizada no mundo externo.

Entretanto, ninguém é totalmente introvertido ou extrovertido. Algumas vezes a introversão é mais apropriada, em outras a extroversão é mais adequada mas, as duas atitudes se excluem mutuamente, de forma que não se pode manter ambas ao mesmo tempo. Jung também enfatizava que nenhuma das duas é melhor que a outra, citando que o mundo precisa do dois tipos de pessoas, ou seja, o ideal para o ser humano é ser flexível, operar em equilíbrio entre as duas.

Paradoxalmente à conclusão de Jung, a cultura ocidental, baseada numa psicologia de dominação, idealiza no “pano de fundo” dos relacionamentos humanos, um perfil de indivíduo adequado aos padrões de consumo, ou seja, um indivíduo que fale mais e pense ou reflita menos. Neste modelo social, geralmente, a pessoa tímida é estigmatizada porque não “comunica” ou interage com outras pessoas conforme o paradigma ideal de extroversão, como se o sentido da comunicação através da fala significasse saúde, e o contrário, patologia.

No entanto, na direção oposta à idealização da pessoa extrovertida como modelo inquestionável, surge o foco da Nova Era, que traz na sua esteira novos horizontes em relação ao homem e seus condicionamentos. Horizontes onde o ser inteligente percebe que a comunicação tem um sentido ampliado de sua própria natureza, que permanecia adormecida na inconsciência devido aos padrões comportamentais arraigados à cultura materialista e de consumo.

A partir do terceiro milênio, com a chegada dos índigos e cristais, a psicologia e a educação entram em colapso, porque a referência do modelo tradicional de educação sofre uma considerável ruptura, à medida que essas crianças diferenciadas começam a questionar e exercitar a crítica de uma forma precoce, nunca antes observada pela ciência e pela sociedade.

Cai também por terra, o ideal da extroversão representada pela verbalização sem conteúdo, pois estas novas inteligências que chegam ao planeta Terra, desenvolvem novas ferramentas de comunicação que não seja somente o mecanismo da fala.

Surge neste cenário de graduais e significativas mudanças, o indivíduo interiorizado: nem tímido, nem extrovertido, mas que de uma forma equilibrada entre estes dois polos, observa, percebe, questiona, critica e age em benefício do bem da coletividade.

Nesta direção, as gerações de indivíduos preparados e qualificados para a “quebra” de paradigmas, começam a aparecer e fazer história pelos quatro cantos do planeta, sintonizados e focados em suas missões onde “ego e poder” não tem mais vez no cenário das transformações. O mesmo cenário que mostra a crise de valores que abala a educação e preocupa a psicologia. Flávio Bastos – flaviolgb@terra.com.br

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