O Feedback – E A Aceitação Do Próximo

“Não é possível construir uma reputação sobre aquilo que se vai fazer.” Henry Ford

“O feedback, a assertividade, e a aceitação do próximo são conceitos e ações interligadas e interdependentes.

O sucesso das suas ações pessoais e profissionais dependem da sua maturidade emocional e do uso correto das atitudes por trás destes conceitos.”

Este artigo tenta explicar alguns assuntos que muitas vezes estão confusos nas cabeças de algumas pessoas. E este assunto tem muito a ver com relações pessoais, administração de pessoal e gerência do desempenho.

FEEDBACK

O termo “feedback” na área de Recursos Humanos, é uma “informação que o emissor obtém da reação do receptor à sua mensagem, e que serve para avaliar os resultados da transmissão da mensagem”, “reação a um estímulo”.

A definição acima é a que se encontra no Dicionário Houaiss Da Língua Portuguesa, na página 1319.

Vamos explorar um pouco as implicações que há entre juízo de valor, aceitação do próximo, assertividade e o necessário e útil “feedback” na vida pessoal e na vida profissional.

JUÍZOS DE VALOR

Vimos que juízos de valor são opiniões individuais baseadas nas percepções, valores, princípios, crenças de cada vivente.

Vimos também que todo ser humano tem o direito de ter o seu próprio conjunto de percepções, valores, princípios, crenças e de expressar as suas opiniões baseadas nesse seu conjunto único. Esta é mais legítima expressão tanto da diversidade humana como da singularidade de cada ser humano.

Já os juízos objetivos são o complemento dos juízos de valor, são baseados em ciência, experimentos e fatos. Sobre os juízos objetivos não caberiam debates, pois seriam verdades.

Apresentar o seu próprio conjunto de juízos de valor é um direito e uma necessidade do ser humano, para se expressar e existir da sua maneira única. É uma manifestação da sua individualidade única.

Debater juízos de valor, no entanto, é como debater política partidária, religião ou futebol. Não se chega a lugar algum.

A ACEITAÇÃO DO PRÓXIMO

A aceitação do próximo, como o próximo é, deriva da aceitação dos juízos de valor de cada ser humano. Aceitamos o próximo somente quando aceitamos que ele tem direito de ser e de se expressar segundo seu único e próprio conjunto de valores, crenças, etc. e tal.

ASSERTIVIDADE

Assertividade é estar presente, por inteiro, sempre e, não só permitir, mas incentivar que as demais pessoas à sua volta também ajam de forma semelhante.

Uma pessoa assertiva é aquela que tanto reconhece como permite que as suas vozes internas sejam liberadas, com classe, pois, como constantemente liberadas, não há a repressão passada que provocaria o grito futuro.

Ser assertivo é:

– fazer emergir o seu “eu”,

– aceitar o seu “eu”,

– expor o seu “eu” com altivez,

– fazer o seu “eu” ser visível e respeitado;

– criar uma parceria com você próprio.

Ser assertivo é deixar de ser perfeito, é expor as suas falhas, as suas emoções e opiniões cruas e não “politicamente corretas”, o seu lado humano incoerente, mas real.

Quero ressaltar: ser assertivo é falar de si. De seus sentimentos, de suas emoções, de suas contradições, de seus medos, de seus desejos, de suas aspirações, etc. Mas sempre e somente de si.

Assertividade é a afirmação do seu exclusivo e próprio “eu”.

Note que ser “assertivo” costuma ser confundido com fazer julgamentos dos “valores” dos outros, o que é uma incongruência e um desvio do uso, das técnicas e do conceito de assertividade.

VOLTANDO AO “FEEDBACK”

E o que tem o “feedback” a ver com tudo isso?

Bem, “feedback” é um retorno sobre “algo” que alguém fez, e foi percebido por outra pessoa, e o “feedback” nada mais é do que um retorno sobre a percepção do que o outro viu, ouviu e percebeu.

Nas relações pessoais e profissionais há algumas regras de bom convívio, além da ética e da moral.

Por exemplo: você não depende da boa vontade do próximo para poder dirigir-lhe a palavra. O ser humano, como ser gregário, que vive em comunidade, por estar vivendo em comunidade, se predispõe a isso.

Agora, nas relações entre pessoas, relações afetivas e profissionais, ligações afetivas ou profissionais, há alguns pressupostos básicos, e o principal é o respeito mútuo.

Dentro destas relações e ligações pessoais e profissionais nascem também outros condicionantes, alguns acertados pela vida, sem serem pactuados, outros pactuados. Alguns fazem parte inclusive de direitos constitucionais, portanto juízos objetivos, já outros podem fazer parte das crenças religiosas de cada um, portanto juízos de valor.

A estes acertos chamamos de compromissos ou comprometimentos, adesão à relação estabelecida (afetiva – amizade ou amorosa- ou profissional). Estes compromissos têm a característica de serem reflexivos: valem, para mim, valem para você, estabelecendo e construindo uma relação onde há eqüidade.

Leia mais no artigo: “A Teoria Da Equidade”

O “feedback” sempre é dirigido para a pessoa, nunca à pessoa. Com isto queremos dizer que o “feedback” refere-se sempre a algum fato, experiência, ou atitude ou comportamento observado, real. Pode ser inclusive uma falha de caráter, uma atitude contra algo pactuado, uma não obediência a um compromisso estabelecido.

Nas empresas, o trio Missão, Visão e Valores serve exatamente para definir regras do jogo entre os participantes: patrão e empregados. Se algum participante, conhecedor das regras do jogo, sair do rumo apontado, ele merece um “feedback” daquele que observou essa “pisada na bola”.

Note: só vale e é praticado de forma integral quando o empregado também puder dar um “feedback” para o chefe ou patrão… Vale para mim, vale para você!

Aliás, “feedback” serve exatamente para isso: apontar o rumo.

Pode ser correção de rumo de relações profissionais ou amorosas, ou mesmo relações de pais para filhos. E têm sempre caminho duplo: podem ir e voltar.

Pode também ser de regozijo ou confraternização, pelo acerto do rumo.

Mas quaisquer inferências, fugindo do estritamente visto ou observado, pode se encaixar dentro dos julgamentos de valor da outra pessoa. E isto é preconceito, preconceito puro e simples! É julgar os valores dos outros pela visão que os seus tamancos e os seus próprios valores lhe dão!

Infelizmente, é quase padrão, quando alguém fala:

– “Olha, vou te dar um “feedback”…”;

pode contar, que lá vem um julgamento do juízo de valor, frequentemente.

Quantos julgamentos auto-centrados de valor, e portanto preconceitos descarados, são cometidos com o nome de “feedback”…

Note que um olhar amistoso, um forte aperto de mãos podem ser “feedbacks”; o primeiro envolvendo a aceitação, o segundo um elogio ou comprometimento, numa linguagem simples, a linguagem corporal.

A facilidade, tanto para dar como para receber “feedbacks”, é uma prova inconteste da maturidade emocional de quaisquer pessoas. O que é difícil de encontrar, não é mesmo?

Para dar “feedback” é necessário aceitar o próximo como ele é, e dar o “feedback” sobre aspectos ou fatos observados, sobre compromissos assumidos.

O “feedback” é necessário para apontar o rumo: confraternização quando o rumo é acertado, correção quando o rumo é inadequado.

Só dá “feedback” quem se sente comprometido com a construção da relação, portanto é um sintoma de vitalidade da relação.

Já ausência de “feedback” significa desistência da relação.

Tanto as relações profissionais como as afetivas precisam de “feedback” para alcançar os objetivos comuns.

Você usa o “feedback” para julgar o próximo à luz dos seus valores próprios?

Você aceita um “feedback” de um filho seu?

Você aceita um “feedback” de um seu empregado?

Você aceita um “feedback” de um subalterno?

Você e seus empregados estão prontos e preparados, tanto para receber como para dar “feedbacks”?

Nos “feedbacks” pode estar a diferença entre o sucesso e o fracasso da sua empresa e dos seus relacionamentos pessoais.

Carlos Alberto de Faria             Merkatus – calfaria@merkatus.com.br

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