O Jardineiro e os Negócios

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Sempre tive uma vontade oculta de ser jardineiro: mexer com a terra, afundar os pés e as mãos em suas entranhas, sentir-lhe o calor e o frio, inebriar-me de seus cheiros, seguir as estações do ano, contemplar o sol e a chuva, lançar a semente e esperar a lenta maturação da vida… Mas especialmente cultivar flores. Quem sabe, um dia, ser uma entre elas!

A flor é como um negócio, precisa ser cuidada, regada, visto com olhos diferenciais para que possa frutificar, e não apenas como um único jardim, onde todas são iguais.

Cada negócio é único e merece sua atenção, lembre-se disto!

Mas a profissão de jardineiro tem suas armadilhas. Sem dúvida, é gratificante ver as plantas se erguerem do solo, produzir botões e estes se abrirem em pétalas de diferentes cores e tonalidades. Em pouco tempo, porém, elas murcham, secam, desaparecem. Com a mesma voluptuosidade com que buscam o céu azul, a luz e o ar livre, também se curvam encarquilhadas sobre o chão, morrem e caem no esquecimento. Menos mal que deixam na terra suas sementes e que estas, em potencial, contêm novas flores. Cedo ou tarde, haverão de romper a superfície da terra e se reerguer para a vida.

Quantas oportunidades desaparecem depois de lançadas?

Quantas vezes nos deparamos com negócios praticamente fechados e há uma desistência?

É a lei de mercado, só realmente acontece depois de contrato assinado.

Outra armadilha é que, após preparar o solo, lançar a semente, e zelar diariamente pela sua gestação, o jardineiro pode surpreender-se com alguma flor que nasce fora do jardim cultivado. Tanto carinho e cuidado, para ver o broto ressurgir em meio ao mato e aos espinhos, ou entre as pedras do caminho. Flores são seres rebeldes, crescem não raro onde menos se espera, longe de nosso alcance. Às vezes são mais vivas e vigorosas onde a terra é mais agreste.

E como não falar de atravessadores, de pessoas sem mandato que querem melar todo o trabalho desenvolvido?

E pior, pessoas estas que demonstram mais confiança do que nós aos mandatários. E aí, foi-se o negócio, se não houver destreza e inteligência emocional do outro lado.

 

Ninguém como o jardineiro se dá conta de como a flor é bela e frágil. Ou melhor, bela porque frágil. Oferece seu brilho intenso e colorido, mas sempre provisório. Tão forte quanto fugaz, talvez porque possui uma estranha consciência orgânica de que sua passagem pela vida é breve. Logo terá de desaparecer! O mesmo ocorre com o perfume. A flor exala-o com tanta intensidade que chega a embriagar o viajante que passa. Mas fenece junto com ela. Também neste caso é verdade que, apesar de resistir mal à tormenta, a beleza e o perfume da flor jamais se apagam da memória de quem os experimentou.

Quem tem o mandato sabe o quanto é ou não frágil, conhece o EBITDA, potencialidades, valor de mercado, entre outros.

Sabe que aquele negócio tem momento certo, mercado dirigido e por aí a fora. Sabe que dependendo da época e da situação, tudo pode murchar como uma flor.

E, se sabe tudo isto, que tem feito a respeito?

Mas o cultivador de flores conhece outros segredos. Sabe que cada uma delas é única, incomparável e insubstituível. Inútil perguntar qual a mais bonita, a mais sedutora a mais cheirosa. Todas o são, embora distintas. Ou melhor, todas são belas justamente porque distintas! É a diversidade de formas e aromas, cores e tons que torna encantado o jardim.

Assim é o plantel de uma empresa de negócios. Cada qual com sua beleza, forma e aroma, cada negócio é único, singular, mesmo estando entre tantos outros em par.

O senhor do jardim sabe, ainda, que cultivar flores não é tomar posse delas. Se tentar fazê-lo, mata-as, perdendo-as para sempre. De resto, essa relação com as flores reproduz-se na relação com outros seres vivos, plantas ou animais, como também na relação entre as pessoas. Cultivar implica não em dominar e possuir, mas deixá-las livres. Livres para que outros possam desfrutar de seu conhecimento e riqueza. A posse é a negação do amor.

Ninguém é dono do negócio em si. Um lado é dono da empresa, outro do dinheiro e para nascer o negócio entre ambas é necessário a sintonia, negociadores, interesses em comum, etc.

Achar-se dono do negócio porque tem o mandato é um tiro no pé. Quanto mais astuto, inteligente, negociador e nervos de aço, mais ainda será seu o negócio, mas nunca como propriedade, e sim, por resultado de si mesmo.

O jardineiro é diferente do colecionador. De fato, O cultivador de carros de luxo, de pérolas preciosas, de contas bancárias, de objetos exóticos, como também o cultivador de mágoas ou ressentimentos, de ódio ou vingança, torna-se escravo daquilo que cultiva. Constrói sua própria prisão. “Onde está teu tesouro, aí está teu coração”, diz o sábio Jesus. Ao contrário do colecionador, o jardineiro aprende que somente há de colher as flores que cultiva com o toque mágico de suas mãos, rudes e ternas a um só tempo. Mas ele as colhe com o olhar, com o deslumbramento da alma. Prendê-las é condená-las à morte.

Colecionar resultados é bom, contudo não podemos nos basear neles para vislumbrarmos o sucesso. O sucesso é um eterno recomeço.

Atingiu o sucesso? Ótimo, aprenda com ele, colha seus frutos e retome o caminho da lida para construir um novo sucesso.

É assim o ciclo da vida.

E assim, livre e bela, a flor pode entregar-se gratuitamente a todos que visitam o jardim. Seu brilho fala de Deus quando guarda as gotas do orvalho noturno ou abre suas pétalas à luz matutina, quando dança ao ritmo da brisa suave ou oferece seu néctar ao beija-flor, o qual, a seu turno, transportará o pólen para fecundar outras flores, alimentando assim o ciclo interminável da vida.

Unida ao sorriso da criança, ao murmúrio ou ao rugido da água, ao canto do pássaro, à luz longínqua da estrela, ao sol que chega ou que parte, ao olhar de quem ama ou à lágrima de quem ainda é capaz de chorar, aos corações sedentos de justiça ou às mãos que combatem pelos direitos humanos – a flor integra a grande orquestra da criação. Instrumentos distintos, que tocam notas diferentes, mas exprimem a beleza de uma sinfonia comum.

Cultivar flores é cultivar relações novas, livres, autênticas, transparentes. Relação consigo mesmo, com o outro e com os outros, com a história de um povo, com o meio ambiente, com o Transcendente. Essas dimensões, embora distintas, não constituem instâncias cerradas uma à outra. Ao contrário, todas se entrelaçam inextricavelmente. Todas se interpelam e se integram, se enriquecem e se complementam. O cultivo de uma repercute no crescimento das demais, o descuido de uma significa o esvaziamento de todo o ser.

Não tenha medo de dar informações gerais, de divulgar aquilo que pode ser divulgado, de transparecer no negócio quem você é.

Apesar de serem negócios, os mesmos são feitos por pessoas e assim sendo, confiança é a base de qualquer negócio.

Como ponto final, vale sublinhar, uma vez mais, a lição da flor: porque é bela, fugaz e frágil, ela brilha e se apaga, revela-se e se esconde, aparece e desaparece, como o Amado que se oculta para estimular a busca e nutrir um amor fiel e persistente.

Sejamos nós a lição do jardim: Aprendermos cada vez mais a frutificar e fortalecer nossos negócios com trabalho, perseverança, verdade e astúcia.

Somos resultados da nossas escolhas, então sejamos a escolha do sucesso!

 

Gustavo Rocha-GestãoAdvBr CEO – Consultancy on Strategic Management and Technology-Bruke Investimentos CEO – Business, Valuation, M&A, Opportunities, Market Business and more.Web: www.gestao.adv.br | www.bruke.com.br

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