O Papagaio

O Papagaio

Um vendedor possuia um papagaio cuja voz era agradável e sua fala divertida. Não somente guardava a loja, como também distraía a clientela com sua tagarelice. Pois falava como um ser humano e sabia cantar… como um papagaio.

Um dia, o vendedor o deixou na loja e foi até sua casa. Logo o gato do vendedor enxergou um rato e bruscamente começou a persegui-lo. O papagaio se assustou tanto que perdeu a razão. Começou a voar para todos os lados e acabou derrubando uma garrafa de óleo de rosas.

Quando voltou, o vendedor, percebendo a desordem que reinava em sua loja e vendo a garrafa quebrada, ficou encolerizado. Compreendendo que seu papagaio era a causa de tudo aquilo, lhe acertou uns bons golpes na cabeça, fazendo-o perder numerosas plumas. Em conseqüência deste incidente, o papagaio deixou imediatamente de falar.

O vendedor então ficou penalizado. Arrancou seu cabelo e barba. Ofereceu esmolas aos pobres para que seu papagaio recuperasse a palavra. Suas lágrimas não deixaram de correr durante três dias e três noites. Se lamentava dizendo:

“Uma nuvem veio obscurecer o sol da minha subsistência.”

No terceiro dia, entrou na loja um homem calvo cujo crâneo reluzia como um escudo. O papagaio, ao vê-lo, exclamou:

“Oh, pobre desdito! Pobre cabeça ferida! De onde te vem a calvície? Pareces triste, como se houvera derrubado uma garrafa de óleo de rosas!”

E toda a clientela explodiu em gargalhadas.

Duas canas se alimentam da mesma água, mas uma delas é cana-de-açúcar e a outra está vazia.

Dois insetos se alimentam da mesma flor, mas um deles produz mel e o outro veneno.

As pessoas que não reconhecem aos Homens de Deus dizem:

“São homens como nós: comem e dormem igual a nós.”

Mas a água doce e a água amarga, ainda que tenham a mesma aparência, são muito diferentes para quem as provou.

Tradução livre do espanhol a partir de “150 Cuentos Sufís”

Al Din Rumi Yalal – texto original disponibilizado por Carlos Martín Perez

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