Os Perigos Da Estabilidade No Eixo Líder-Seguidor

São consideráveis os esforços causados pela estruturação de qualquer sistema de trabalho a fim de tornar-lhe produtivo. Conhecimento, liderança, persistência, técnica, entre outros elementos, formam a bagagem necessária para se gerar procedimentos, boas relações entre os colaboradores e bons resultados. Com as conquistas obtidas nesse cenário organizacional, passa-se, então, à gestão e aperfeiçoamento do que se alcançou.

A intenção é trabalhar duro para ajustar o funcionamento dos processos e gerar certa estabilidade. Porém, há perigos rondando o “sossego” conquistado, criando na rotina uma oportunidade para se cometer erros simples.

Para exemplificar a questão, recorro a uma experiência relacionada à gestão da liderança, desenvolvida em uma empresa por um consultor. Após meses trabalhando com as lideranças, chegou-se a resultados bastante favoráveis, como compreender as diferenças entre liderança e gerenciamento, a importância crucial do tipo de relacionamento no eixo líder-seguidor, influência, mudança, aprendizagem, etc. Como facilitador, ele passou a empreender encontros menos frequentes, haja vista o grau de desempenho que havia conquistado cada profissional ligado ao projeto.

As reuniões ocorriam em um dia específico da semana e sempre no mesmo horário. Já haviam chegado ao ponto de gerir a situação sem precisar de tanto esforço, como haviam feito anteriormente. Tudo transcorria bem em razão da estabilidade atingida. Porém, por causa de novos compromissos assumidos pelo consultor, foi preciso solicitar que se alterasse o horário das reuniões para o período da manhã.

O excelente nível de relacionamento, o hábito e a confiança levaram-no a comunicar o pedido por e-mail. A princípio, nada era de se estranhar, pois já havia se relacionado dessa forma em tantas outras vezes. Contudo, a resposta que recebeu foi de impossibilidade quanto àquela alteração.

Diversos e-mails confirmavam, cada vez mais, o quase rompimento daquele contrato de prestação de serviço. Parecia um filme de terror que ia se instalando gradativamente em sua caixa de entrada de correspondência. Até que se reuniram pessoalmente e evidenciou-se uma situação atípica: a líder de grupo mostrou-se resistente àquela alteração de horário, enquanto o restante do pessoal acenava favoravelmente.

Depois de muita conversa e argumentação, chegou a bom termo e, em suma, o aceite foi unânime. O que havia acontecido antes daquele encontro? Um dos aspectos mais importantes da gestão da liderança é o acompanhamento próximo entre líder e seguidor em cada um dos projetos de mudança. A gestão da mudança deve ser observada por alguns ângulos, especialmente pelo desgaste emocional causado. As pessoas podem percorrer o caminho da inércia – ficar quietas mediante uma mudança -, rejeição – recusar a mudança caso a inércia não funcione -, indecisão – quando existe pressão para que haja aderência à mudança – e adaptação.

O líder de equipe, pessoa-chave em qualquer processo de mudança, não foi acompanhado com proximidade nesse momento, embora simples, mas decisivo. O excesso de estabilidade levou o consultor a propor alterações sem a devida percepção e intervenção. Um pequeno pecado pode dificultar qualquer empreendimento se a sutilidade humana não for considerada. A gestão da liderança requer cuidados mínimos, que fazem grande diferença.

Aprender permanentemente é a regra deste jogo que pode levar a superações nunca antes imaginadas. Armando Correa Neto – lideraonline.com.br

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