Parcelar ou não?

Lojistas devem planejar gestão financeira da loja, a fim de evitar inadimplência nas vendas do final

Estando a loja preparada para a principal data comemorativa do comércio no ano, o Natal, é chegada a hora de analisar as ofertas de crédito que se pode oferecer aos clientes. Qual o parcelamento ideal? Em até quantas vezes? Essas são apenas algumas das dúvidas que acabam assombrando o pensamento dos lojistas, e que, quando não resolvidas de forma correta, podem colocar a perder todo o investimento feito para o período.

acordo com a economista pós-graduada em Gestão de Empresas, Sistema de Gestão da Qualidade e Finanças Corporativas, Fátima Rosado (Rio de Janeiro/RJ), para que o varejista defina com tranquilidade uma política de crédito, precisa em primeiro lugar ter ferramentas de gestão financeira. “Ele deverá analisar seus indicadores financeiros/econômicos e definir sua estratégia de parcelamento. Repito que cada caso é um caso. Empresas desorganizadas, precisam, antes de tudo, estruturarse para poder financiar seus clientes”, afirma.

Segundo ela, é necessário que haja previsão de fluxo de caixa, com controle dos recebimentos, planejamento das compras e seus prazos junto aos fornecedores ..”O objetivo é programar seus pagamentos nas datas em que as operadoras de cartão farão os repasses, o que ajudará na gestão financeira, por exemplo”, define, destacando que vender a prazo é interessante para o lojista porque aumenta o faturamento global. Por outro lado, ele deverá acompanhar bem de perto a sua cobrança. Além disso, quanto maior o prazo de parcelamento, maiores os juros das parcelas.

Para o consumidor a melhor alternativa é a compra através do cartão de crédito, pois ele poderá pagar sem juros em até 3 ou 4 vezes, desde que a fatura seja quitada no vencimento. Caso contrário, os juros praticados pelas administradoras são proibitivos. Neste opção, o melhor é optar pelo financiamento do lojista que certamente terá uma taxa mais barata que a do plástico. Já para o lojista, a melhor escolha de crédito, conforme Fátima Rosado, é o cheque pré-datado, pois ele foge das taxas de administração do cartão. Porém, enfrenta o problema do risco de inadimplência, o que não ocorre no caso dos cartões de crédito.

PREÇOS – Existe uma diferença importante na prática dos preços à vista e parcelado, sendo que na última modalidade há a aplicação de juros de acordo com o número de parcelas. Ou seja, quanto maior o prazo para pagamento disponibilizado aos clientes, maior será a taxa de juros aplicada. “Você que vai comprar, prefira sempre um número menor de parcelas para que o preço final do bem adquirido não supere em muito o valor deste mesmo bem comprado de forma à vista”, comenta. Porém, o que ocorre na realizada em parcelas é exatamente o oposto. Seduzidos por prazos cada vez maiores, o cliente acaba pagando duas e até três vezes o mesmo bem se comparado seu preço à vista.

É vantagem para o lojista criar o parcelamento isento de juros? O fato é que o consumidor quando vai comprar faz a conta se a prestação caberá ou não no seu bolso. “Sabemos que não existe prestação sem juros. Mas, sem dúvida, uma boa chamada de marketing para o lojista é apregar a venda parcelada sem juros. Utilizando o cartão de crédito, o consumidor pode parcelar em até três vezes. O cheque pré-datado também é uma ótima alternativa”, cita.

Conforme a especialista, a venda parcelada realmente ajuda no aumento do faturamento global. Porém, o lojista deve prestar muita atenção. “Se o varejista optar por vender sem juros ele não deve trocar cheques em uma factoring ou banco antecipando receita, pois, neste caso, estará pagando juros indescritíveis”, alerta. Segundo Fátima, uma forma interessante de o lojista financiar seus clientes agregando fidelização e aumento de vendas é através da criação de um cartão próprio da loja.                Roberta Gerhard Döring/Jornal Exclusivo

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