Peixes

sereia

-Afinal, o que querem as mulheres?

A pergunta, que poderia ser feita por qualquer homem, ficou famosa porque não foi feita por um homem qualquer: Sigmund Freud a suspirou no século XIX.

Freud, que tudo explicava, não explicou as mulheres. Mas desconfio de que não estava fazendo uma pergunta, mas uma afirmação. O ponto de interrogação pode ter sido um erro de digitação.

O verbo querer da frase é outro erro. Provavelmente de tradução.

Querer um verbo reto, simples, quase vulgar. Querer é meio infantil, bracinho esticado. Querer é coisa de homem.

Mulheres desejam. Desejar é um querer mais elaborado, faz curva (a Terra é redonda). Desejar é poder.

Outro problema da frase é o plural: mulheres. Mesmo que fossem apenas duas, não dá para tratar mulher no plural. Mulher não é categoria. Os desejos da Dilma devem ser muito diferentes dos da Gisele Bündchen.

Já os homens são todos iguais. E, pode apostar, entre os seus “quereres” mulher encabeça a lista. Um homem sem uma mulher não é nada.

Já uma mulher sem um homem é como um peixe sem uma bicicleta. A frase, obviamente, é de uma mulher, feminista. Mas uma mulher.

Por fim, o “final”. Mancada adverbial. Mulher tem mais a ver com o começo do que com os fins.

Além de retensão, escrevo tudo isso porque tenho duas mulheres. A Maria grande e a Maria pequena.

A grande, aliás, acaba de me mandar um torpedo bem sucinto, curto e grosso: pão, manteiga, leite e frios.

Em vez disso, vou levar para casa 31 rosas, uma pra cada dia de março, e convidá-la para jantar fora.

Dependendo do dia, podem até provocar uma lágrima furtiva. No olho do peixe.

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