Perguntas Inusitadas Podem Confundir Em Processos De Seleção

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Durante uma entrevista de emprego, o candidato ouviu a seguinte pergunta do entrevistador: “Por que os bueiros são redondos?”. Um ponto de interrogação se formou na sua mente? E esse é o objetivo. Como essa, muitas outras questões inusitadas são feitas durante os processos de seleção. E a dúvida é se elas são realmente eficientes para traçar o perfil de um futuro colaborador ou servem apenas para desconcertá-lo e constrangê-lo?

Para Othamar Gama Filho, presidente da Recruiters, mais importante do que a resposta em si é como o entrevistado lida com a situação. “Perguntas assim permitem ampliar a avaliação do candidato, analisando o seu comportamento”, diz. Pela reação, Gama Filho salienta ser possível perceber, entre outras coisas, se uma pessoa tem jogo de cintura e criatividade para enfrentar cenários inesperados. Mas, se por um lado, a aparente falta de senso da frase exige preparação do candidato para responder de maneira adequada, por outro, também requer capacitação do entrevistador para saber interpretá-la, sob o risco de perder um talento para a empresa ou de contratar a pessoa errada.

Elaine Saad, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos – Nacional (ABRH-Nacional), afirma que uma boa entrevista procura descobrir, em meio aos relatos, as características que não estão descritas no currículo. A forma como a pergunta é feita é fundamental e pode ajudar ou atrapalhar a resposta. Ela exemplifica que questões abertas, que começam por “como”, “por que” ou “o que”, levam o candidato a detalhar algum fato. Para ela, é papel do entrevistador saber como encorajá-lo a explicar essas situações.

Na prática, no entanto, a realização de entrevistas de emprego não é tarefa exclusiva dos profissionais de Recursos Humanos. Muitos gestores gostam de conhecer seus futuros funcionários, atitude que, de acordo com Elaine, pode levar a erros por conta do despreparo para a função. “A condução da entrevista não pode ficar apenas por conta do bom senso do entrevistador”, diz.

Receoso quanto ao uso de técnicas para traçar o perfil do profissional, João Baptista Brandão, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) e especialista em Coaching e Gestão de Pessoas, ressalta que a maioria dos recrutadores não está habilitada para interpretar respostas não objetivas. Além de saber selecionar o profissional mais tecnicamente preparado, o entrevistador deve perceber o nível de interesse e curiosidade do candidato pelo negócio e avaliar o histórico profissional da pessoa.

Até por isso, nenhum desses processos descarta o tradicional currículo, onde devem estar dados claros de formação e trajetória profissional dos interessados nas vagas. Brandão exemplifica que por meio de informações sobre a participação do candidato em projetos é possível perceber como ele age no trabalho. “O recrutador pode pedir, por exemplo, que o candidato conte fatos que trouxeram resultados positivos na carreira e avaliar se foram experiências enriquecedoras”, sugere.

Além de colher informações sobre o passado do profissional, um bom bate-papo pode relevar eventuais exageros descritos no currículo. Sérgio Ramos, gestor de Recrutamento e Seleção da Nova Rio, empresa de terceirização de serviços, salienta que a comparação entre o conhecimento técnico informado e a atividade exercida no cargo anterior pode indicar se essa é uma habilidade verdadeira ou não.

Voltando à pergunta do início do texto, a preferência pelos bueiros redondos é explicada pelo fato de que o formato circular impede naturalmente que a tampa caia para dentro do buraco, ao contrário do que aconteceria com outras formas geométricas. Mas lembre-se, leitor, mais do que ter a resposta correta, o entrevistador quer saber realmente qual é o seu “formato”.  Ana Paula Pavanello

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