Pontos Que Atrapalham A Mulher Para Assumir O Seu Poder

Otimismo

Antes, vou me apresentar como mulher. Tenho 52 anos recém completados, tenho quatro filhas adultas, tendo sido as duas últimas gêmeas, e há pouco mais de um ano, ganhei uma neta. Todas, como pode ver, mulheres. Meu marido, da minha idade, é um homem à frente do tempo da maioria das demais pessoas da nossa sociedade, e se não fosse por ele talvez hoje eu fosse, em pleno século 21, uma mulher do tipo exclusivo esposa-mãe-dona de casa, o que absolutamente, não sou.

De maneira geral, entendo que o empoderamento feminino não pode ocorrer como se vê na maioria dos lugares defendido: “dar poder à mulher”. Poder não se dá, assume-se e compartilha-se, junto com as escolhas e decisões tomadas em nossas vidas, que sempre trazem em si as responsabilidades e compromissos. Entretanto, se não temos “do outro lado” quem apoie nossas escolhas e tomadas de decisão, e ajude-nos a não sentir “culpa” (que a cultura da nossa sociedade insiste em atirar às nossas costas), o caminho torna-se mil vezes mais árduo, longo e demorado para alcançarmos nossa apropriação de nós mesmas.

Por isso, fico muito satisfeita de ver, aqui mesmo no portal Plena Mulher e na fanpage do Facebook, que há muitos homens interessados no tema, em entender melhor o nosso universo e, possivelmente e potencialmente, interessados em apoiar as mulheres nesse objetivo de igualdade de poder, compromissos e responsabilidades, ou seja, de serem parceiros para compartilhar e também fazerem a sua parte. Sejam bem vindos, homens!

Há pontos importantes a serem debatidos, discutidos, respondidos, e principalmente auto avaliados (como isso é na minha vida, dentro de mim?). Coloco apenas alguns para darmos um pontapé inicial, baseada em observações que venho fazendo ao longo dos anos, inclusive enquanto professora de nível universitário e pós-graduação.

1) A mulher (e a sociedade) de hoje continua acreditando que é a responsável pela alimentação, saúde, cuidados, carinho, bem-estar da família, incluídos aí, os filhos, os maridos, os pais idosos.

2) A mulher (e a sociedade) continua acreditando que a relação dela com os filhos, em especial os de mais tenra idade, é mais importante e valiosa do que com o pai das crianças, e que, portanto, deve dedicar-se mais e ficar mais tempo com eles do que o pai, mesmo que isso signifique prejuízo a sua situação profissional ou sua saúde física e mental.

3) Os homens, em geral, ainda esperam que à noite ou aos finais de semana seja a mulher quem vai ao supermercado abastecer a casa, cozinhar, colocar a roupa para lavar, lavar o banheiro, tirar o pó dos móveis, e assumem o “lavar a louça” como sendo sua participação ativa no compartilhamento das atividades domésticas.

4) As leis trabalhistas e de proteção à mulher, ao estender os períodos de licença maternidade sem fazer o mesmo para os pais, acabam levando as empresas a darem preferência à contratação de homens do que mulheres em “idade reprodutiva” (que a medicina cada vez amplia mais).

5) Muitas mulheres ainda deixam de assumir cargos que exigem viagens para não ficarem longe da casa, do marido e dos filhos, como se o marido não tivesse condições físicas, intelectuais ou emocionais de darem conta das atividades domésticas e familiares.

6) Muitas famílias de menores condições socioeconômicas preferem ajudar os filhos homens na construção de uma carreira (escolas privadas, cursos universitários) em detrimento das filhas mulheres que, “afinal”, podem cuidar da casa e dos demais.

7) Os comerciais de produtos dos mais variados, na esmagadora maioria das vezes, continuam representando mulheres ou como objetos de desejo (mesmo quando executivas, são essencialmente sensuais), ou como donas de casa, ou como “mãe é tudo” (eu poderia citar aqui uma infinidade de exemplos, desde carros até margarinas, desinfetantes e marcas institucionais) reforçando claramente ou subliminarmente os estereótipos e a cultura machista. Ana Mansur

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