Por Onde Anda Sua Criança?

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Jung nos mostra como é importante entrar em contato com a criança que fomos um dia para assim entender alguns de nossos conflitos, e mais ainda, para manter nossa saúde mental.

Uma das maneiras de fazer isso é relembrando o que gostava de brincar… Você se lembra do que brincava? Pare por alguns segundos e faça uma viagem no tempo… Quais eram suas brincadeiras favoritas? Há quanto tempo não faz isso? E o que gostava de comer? Pense em se dar um desses presentes não apenas nesse feriado, mas também nos outros dias durante o ano. Procure lembrar-se de você criança… Qual imagem lhe vem à mente? Qual idade você tinha? Que tal se comprometer consigo mesmo e fazer algo por você?

Na verdade, tudo começa nos primeiros anos de vida… umas das causas dos conflitos em nós adultos é a falta de amor, atenção e aceitação de quando éramos crianças. Assim, aos poucos, vamos nos tornando aquilo, ou quem, querem que sejamos… e nos perdemos. Nos perdemos de nossa essência, de nossa criança, de quem somos de verdade, aquilo que Jung chama de Self. A maior mágoa que uma criança pode sofrer é a rejeição do eu autêntico, pois em seu pensamento acredita estar sendo punida por ser quem ela é. Não era certo querer o que queria, pensar o que pensava, falar o que falava, ver o que via, ouvir o que ouvia, sentir o que sentia, enfim, não era certo ser ela mesma.

E o que isso gera? Além de muitos, muitos conflitos, uma necessidade enorme em agradar, para quem sabe, ser aceito e amado. Essa é nossa maior busca! Você já percebeu que estamos sempre buscando aprovação, reconhecimento e aceitação? E como nos frustramos quando não recebemos e muitas vezes sequer percebemos?

Quem de nós foi amado e aceito incondicionalmente desde criança? Poucos de nós tivemos uma infância com compreensão e amor total e, por isso, a maioria de nós tem dentro de si uma criança interna abandonada e ferida. E por não suportarmos essa dor, fugimos de todas as formas para não entrar em contato com ela ou qualquer lembrança dessa época. Mas negar a dor não a faz sumir, como diz Alice Miller: “Não são os traumas que sofremos na infância que nos tornam emocionalmente doentes, mas sim a incapacidade de expressá-los”. Ou seja, quanto mais reprimimos tudo aquilo que nos fizeram sentir, mais doentes nos tornamos.

Sabemos que a sensação de ter valor é essencial à saúde mental. Essa certeza deve ser obtida na infância. Crianças abandonadas através da negligência de suas necessidades básicas, da falta de respeito por seus sentimentos, do controle excessivo, da manipulação pela culpa, ainda que ocultos, entram na vida adulta, com uma noção profunda de que o mundo é um lugar perigoso e ameaçador, não confiando em ninguém, porque, na verdade, não desenvolveu mecanismos para confiar em si mesma. Sente-se abandonado ainda quem foi criado por babás, em colégio interno, distante de seus pais, ou não se sentiu amado ainda no útero materno. É muito comum também a criança se sentir abandonada em famílias muito numerosas, onde há muitos irmãos, e os pais não conseguem dar atenção a todos. Se quando criança você foi amado por suas realizações e desempenho, e não por você mesmo, seu eu autêntico também foi abandonado.

Todas as crianças ficam aterrorizadas diante da possibilidade do abandono. Esse medo começa por volta dos seis meses. Para a criança, o abandono por parte dos pais é equivalente à morte, pois além de se sentir abandonada, ela mesma aprende a se abandonar ao se tornar o que esperam que ela seja. Ou seja, de alguma forma todos temos dois grandes abandonos registrados, o que pode gerar outro grande conflito: a necessidade de ser cuidado e o medo de ser abandonado. Queremos que nos cuidem, mas ao mesmo tempo temos muito medo de sermos abandonados, por isso muitas pessoas fogem de relacionamentos mais sérios temendo novo abandono. Assim como o abandono e a rejeição, a superproteção também é uma forma de abuso infantil.(…)

Mas você deve estar se perguntando: O que eu hoje, adulto, posso fazer? Pode fazer muito! O primeiro passo é reconhecer a presença de sua criança dentro de você e perceber suas necessidades e sentimentos. O contato com a criança interior, ela saber que alguém está ali e que não precisa mais ficar sozinha, traz um alívio imediato. O reencontro com sua criança interior é a maior fonte de cura. Compete ao adulto em você decidir fazer esse trabalho. Procure ajuda. Decida acolher a criança que um dia foi abandonada, ouça essa criança, deixe que expresse toda sua dor do passado, Mas se não conseguir fazer esse trabalho sozinho, procure um profissional de sua confiança. Enfim, a maneira com que nos cuidamos quando adultos, muitas vezes reflete a maneira com que fomos cuidados quando crianças. Pense nisso!

E apesar de tanta dor, e até por saber que ela existe dentro de você, comece a ser mais compreensivo consigo mesmo, mais amoroso, menos exigente. E abrace sua criança como sempre desejou ser abraçado! Você e ela merecem! Feliz dia das crianças!

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