Precisa-Se De Criatividade E Surpresa Para Envolver Os Participantes De Uma Dinâmica De Grupo

Criatividade e certa dose de surpresa são características que as dinâmicas de grupo precisam ter para envolver os participantes e garantir que a experiência seja relevante para eles e significativa para a empresa. Para alcançar essa meta, as consultorias de RH desenvolvem dinâmicas inovadoras, baseadas em outras áreas de conhecimento e, ao mesmo tempo, alinhadas com os objetivos dos clientes. Mas elas ressaltam que não há receita, pois cada caso é um caso.

A Phrisma Consultoria adota o circo como parâmetro de conhecimento e utiliza atividades circenses para promover seus treinamentos. A metodologia da empresa envolve uma reunião de coaching inicial, para definir objetivos de trabalho e, posteriormente, o planejamento dos treinamentos. O diretor da Consultoria, Edson Harada, acredita que o circo é adotado como parâmetro porque tem uma relação bastante alinhada com o meio empresarial. “O circo tradicional é uma grande empresa que precisa se adaptar a demanda de cada local aonde vai se apresentar e sempre conta com as competências de seus artistas e funcionários para poder produzir o resultado desejado para seu público”, comenta.

Harada ressalta que o circo já adotava a postura pró-cliente das grandes corporações modernas há muito tempo e esse é o principal link que se faz com os clientes. Temas como liderança, trabalho de equipe, gestão, excelência etc. são pressupostos de qualidade de uma empresa e também fazem parte da cultura circense.

Para exemplificar a concepção da Phisma, Harada comenta que uma possível dinâmica num quadro de falta de integração da equipe e falha de comunicação seria desafiar o grupo a montar um evento circense em um dia. “Parece impossível, mas com as ferramentas certas, conseguimos levar um grupo inexperiente a fazer um belo espetáculo”, garante.

O consultor destaca que todo o trabalho da Phrisma é baseado em uma metodologia desenvolvida pelos consultores da empresa denominada Modelo Metassustentável, que segundo Harada, pode ser explicado por meio da analogia com um tripé, cujos pilares são: atender às necessidades atuais sem comprometer as ações futuras, criar competência para gerar melhores ações e agir com congruência com os valores da companhia.

Jogos de cartas

A Fábrica RH, por sua vez, aposta no lúdico para criar dinâmicas com foco em três objetivos gerenciais: comunicação ou alinhamento de informações; treinamento e desenvolvimento de profissionais; e fortalecimento da cultura empresarial. A consultora e sócia da empresa Monica Laub explica que a metodologia adotada envolve jogos de cartas, estudos de caso em vídeos e reflexões a partir de estímulos de produtos culturais como pintura, música, fotografia, cinema etc. e que é desenvolvida diretamente com o cliente, a partir de seus objetivos e características. “Embora tenhamos que pensar todo o treinamento no momento em que fazemos a proposta, só chegamos ao formato final depois de ouvir e conhecer o cliente”, pondera.

A consultora acrescenta, ainda, que o método da Fábrica RH considera a forma como o adulto aprende. “A construção do aprendizado é realizada a partir das descobertas dos próprios participantes e da valorização das experiências e dos conhecimentos de cada um”, comenta. Laub vê a motivação da equipe como um tema de grande interesse de qualquer gestor de pessoas e dá um exemplo de uma dinâmica realizada com um de seus clientes onde foi desenvolvido um jogo para mostrar aos gestores que as pessoas possuem motivações diferentes e que, portanto, é necessário conhecê-las bem.

Para essa situação, a Fábrica RH criou uma atividade lúdica baseada no jogo de tabuleiro Cara a Cara, na qual os participantes formaram equipes e cada uma recebeu uma personagem. O objetivo do jogo era acertar qual a personagem da outra equipe e, para isso, deviam fazer perguntas sobre o que as motivava. “Com uma relação de fatores motivacionais nas mãos, os participantes passam por todas as teorias de motivação, porém discutindo-as em uma abordagem prática e de forma mais estimulante.” diz Laub, e conclui: “Ao final do jogo fizemos uma discussão com todos os participantes e estimulamos uma reflexão individual sobre si mesmo e sobre as equipes”.

Uma das empresas atendidas pela Fábrica RH é a ETH da Odebrecht, que recentemente participou de um treinamento de cultura. O grupo acabara de adquirir uma nova empresa e precisava passar para os novos colaboradores, a cultura da Odebrecht. Cláudia Ajbeszyc, diretora de RH da ETH, diz que a dinâmica funcionou de maneira perfeita, com jogos de tabuleiro e de cartas, e que os colaboradores conseguiram captar as características e a forma de trabalhar da empresa.

Autonomia

A Eagle’s Flight Brasil, também especializada na criação de jogos para empresas, oferece, ainda, um curso para que as corporações possam desenvolver seus próprios treinamentos com dinâmicas e workshops. O curso Técnicas Inovadoras de Treinamento é oferecido apenas a empresas e tem duração de cinco dias, aproximadamente.

A consultoria desenvolve, ainda, modelos de dinâmicas. Um customizado, com atividades criadas para cada cliente, outros pré-elaborados como os workshops de liderança e habilidades e a dinâmica experiencial de consciência.

Apesar de algumas estruturas serem pré-definida, Gisele Franco, diretora de Desenvolvimento da Eagle’s, comenta que todas as dinâmicas começam com um briefing passado pelo cliente, com os objetivos e conteúdos que deseja trabalhar. A partir dessa informação é que a direção do trabalho é definida. “O formato é variado, podendo ser desde jogos de baralho até dinâmicas com blocos de montar”, conta Gisele.

Ao pensar num quadro hipotético de falta motivação em uma equipe, Gisele sugere que o ideal é dar algo para que o time construa junto, podendo ser desde uma maquete ou uma escultura com uma pilha de jornal, ou até uma ponte em tamanho real feita de blocos de montar. Ela ressalta, entretanto, que “as dinâmicas não possuem uma receita, não é algo que se resolve em três ou quatro palavras”.

Daniela Lessa, com colaboração de Pedro Rosário – Canal RH

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