Pronto! Ganhei Tempo. E Daí?

Depois de quase um “século” de vida desorganizada, sem planejamento, sem noção, ou, pelo menos, sem preocupação com priorização de atividades, escalas de horário, “timing” de tarefas, controle do dispêndio de energias, eis que, de repente, percebi tempo livre em minha vida. Um tempo livre para o qual eu não havia me programado, e, conseqüentemente, não saiba o que fazer com ele.

Milagre, terá sido isso? Ou será que, quase inconscientemente, talvez até por aprendizado pela maturidade, reaprendi a dimensionar mais e melhor as minhas responsabilidades?

Será que ao me propor a rever conceitos envolvendo a preparação antes de partir rapidamente para execução, fui “economizando insumos”, e ao final, colocando em minha “poupança temporal” os trocados não gastos?

Terá sido a vontade ou a necessidade de executar as tarefas de forma menos estressante que me levou a descobrir novos caminhos para atingir o que me propunha?

Ou terá sido ainda a pressão pela qualidade, essa ditadora contemporânea, marco dessa era competitiva, que me fez perceber, de forma crescente, um desperdício aqui, uma desnecessidade acolá, um ajuste mais efetivo neste ou naquele momento?

Mas, e se fosse a minha avidez pela liberdade, pela minha crescente demanda por um tempo só meu, que me permitisse otimizá-lo, compartilhado, quem sabe, na companhia de parceiros, amigos, pessoas queridas, ou mesmo em algo que resultasse em algum foco de crescimento pessoal?

E o que faço agora? É necessário rever o que pretendo fazer, se é que vou fazer alguma coisa, para viver esse espaço de liberdade. E esse espaço de liberdade, tenderá a crescer? Vou ter mais tempo livre?

Que sensação gostosa! Estou com a impressão de que ganhei poder, vou dirigir de forma mais sensata os meus movimentos.

Tenho quase certeza de que reforcei a autoridade sobre meu destino, na medida em que o espaço para algumas manobras melhorou consideravelmente.

O peso da responsabilidade, que normalmente carrego comigo, tornou-se menos penoso. Creio que adquiri uma espécie de qualidade aeróbica.

Acredito que será possível agora perceber, de forma mais inteligente, o espaço a minha volta. Identificar detalhes até então não percebidos, ver beleza onde só via assepsia, enxergar um colorido antes não contemplado, ter a perspectiva de crescimento onde só encontrava uma continuidade linear.

Ganhei tempo, e daí? Vou administrá-lo, investir nesse bem precioso que caiu em minhas mãos, aumentar sua rentabilidade, em cada valioso segundo.

Se alguma certeza eu carrego agora, é a de que, com esse ganho de tempo, eu me tornei detentor de algo extremamente significativo e seguramente diferenciador, eu ganhei mais vida.

Francisco Bittencourt – consultor sênior do Instituto MVC. Autor de vários artigos sobre relações sindicais, aspectos estratégicos e operacionais da função RH, Gestão do Tempo.
E-mail: bittencourt@institutomvc.com.br

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