Quem Cala, Consente

As crises escandalosas que perseguem as estruturas políticas de Brasília estão escoradas na tradição nefasta de um poder paralelo, que não é transparente, nem ético e se esconde debaixo dos interesses personalistas, dos quais a prepotência, o nepotismo, o tráfico de influência e a obtenção de favores são apenas alguns dos ingredientes. As denúncias que circulam ora no Executivo, ora no Legislativo federal, são reflexos deletérios dessa prática. No duro, revelam uma organização acima da nação, abrigando pessoas sob o escudo de um mandato cujo maior prazer é nos enxovalhar. O que revelou o pluripartidarismo, por exemplo? A formação de estranhas alianças para que a classe privilegiada dos políticos navegue ora na política municipal, ora na estadual e ora na federal. Alianças oportunistas que permitem a ditadura branca do Executivo, impondo suas vontades através da base aliada do Legislativo. Tenham a santa paciência! Essas alianças permeiam negócios, caçam votos no plenário, inferem na base da barganha política, da obtenção de cargos, na cooptação de políticos em cima do muro.A crise da “hora” – que foi para o brejo – recaiu sobre um nome apenas. Mas será que, sacrificando Sarney do cenário político, se salvaria o Senado e os poderes da União? Mais uma vez a República se verga sob desmandos, privilégios e protecionismo interesseiro, parecendo que as pessoas detentoras de mandatos estão acima ou fora da lei. Pior que isso: não se atacam as causas dessa estrutura combalida. É ela que permite a oligarquias se manterem e se locupletarem, misturando o mandato público com o interesse pessoal privado. Parece natural prevaricar e beneficiar parentes e amigos. Não lhes interessa o fedor que isso provoca. E o que mais me desarvora como cidadão é que políticos ilibados não dão um basta a essa balbúrdia. Afinal, “quem cala, consente”.
Silvio Luzardo – ARTIGOS – DIÁRIO CATARINENSE – DIA 21 DE AGOSTO DE 2009-08-27

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