Renato Sorriso – O Gari Mais Famoso Do Carnaval Brasileiro

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Renato Luiz. F. Conceição é figura manjada no sambódromo carioca. Ao final de cada desfile, ele é o mais animado dos homens vestidos de abóbora que passam pela avenida, vassoura na mão, limpando-a para a escola seguinte. O seu sorriso, exibido publicamente desde 1997, entrou para a galeria das imagens clássicas do carnaval.

Graças ao trabalho como gari, Renato Sorriso tornou-se uma celebridade. Já
conheceu a Europa, em shows ao lado de Elza Soares, Jair Rodrigues e Alaíde Costa, participou da novela “America”, de Gloria Perez, e atuou em
comerciais ao lado de Gisele Bündchen e, mais recentemente, de Zeca
Pagodinho. Não bastasse, também costuma ser contratado para palestras
motivacionais em grandes empresas, onde discorre, de improviso, sobre a sua filosofia de vida.

“Falo sobre crescer, fazer a diferença numa empresa”, diz Renato,
instalado, como diz, em seu “escritório”, um banco na Praça Xavier de
Brito, na Tijuca, zona norte do Rio. “Acho bacana o que eu faço. Acho
bonito ser responsável por uma área, por uma rua. Os moradores confiam em mim, me valorizam muito”, diz. “Só peço uma coisa: se um dia eu errar, não venha me dar uma bronca, venha me explicar como é o certo. Porque eu faço com coração”.

Aos 44 anos, casado, três filhos, Renato planeja escrever um livro sobre a
sua experiência de vida. “Quero escrever sobre a minha vontade de crescer,
de viver”, diz. “Estou galgando”, observa, referindo-se à sua formação. Em
2009, vai cursar o terceiro ano do ensino médio. (…)

“Se a população se conscientizar, não tem necessidade limpar uma rua três,
quatro vezes por dia. O correto seria limpar apenas uma”, ensina. “As
pessoas não entendem a importância de colocar um pedaço de papel na
papeleira, a importância de não colocar um vidro dentro do saco de lixo”,
prossegue. “Um toco de cigarro jogado na rua leva seis meses para se
decompor. Uma maçã, oito meses”.

Outra reflexão de Renato sobre o trabalho dos garis diz respeito à imagem
pública dos profissionais: “O gari pede um copo de água numa casa e ouve
que não tem copo, que não tem água. Aquela pessoa que negou não sabe que
foi você que limpou a rua dele”, diz. “A mão do gari pode estar suja do
trabalho, mas é limpa de honestidade”.

(…)Ele sabe, porém, que a sua fama desperta ao mesmo tempo admiração e inveja. E diz tirar isso de letra: “A inveja eu consigo carregar… Não é todo
mundo que vai ser Pelé, vai ser Roberto Carlos, vai ser o gari Sorriso”,
observa. “Combato isso tratando todo mundo bem”.

Em particular, Renato agradece o público que assiste o carnaval do Setor 1,
onde os ingressos são mais baratos. Foi lá que ele alcançou a notoriedade.
Na primeira vez em que dançou na avenida com a sua vassoura, foi advertido, ainda na pista, por um funcionário da Comlurb. Ao perceber o que ocorria, o público no Setor 1 vaiou. Até que Sorriso foi autorizado a se divertir – e divertir o povo – na avenida.

Mauricio Stycer , repórter especial do iG, conversa com o gari mais famoso do carnaval brasileiro Renato Sorriso

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