Resultados E Planejamento

Há certas palavras, ou conjunto delas, que me deixam perplexo.
Uma dessas expressões é o planejamento estratégico.
Estas palavras estão sendo usadas em um contexto de algo que coloca o tal do planejamento estratégico perto do nirvana.
Toda atividade de planejar pode e deve dar origem a um plano. O plano pode ser formal ou informal. Todo plano deve conter, além das estratégias:
– o ponto inicial de onde partimos;
– o ponto final da chegada;
– o caminho a ser percorrido;
– os recursos necessários e suficientes para empreender a jornada;
– a determinação ou a vontade de empreender a jornada.
Esta subdivisão foi apresentada por george odiorne, um dos papas da antiga administração por objetivos.
Rotular algum planejamento de estratégico parece-me desvincular o ato de planejar, elaborar o plano (formal ou informal) do ato de colocar a mão na massa…
organizações modernas têm o princípio de que quem deve fazer o planejamento é quem vai executá-lo, pois a ele cabe gerir o antes (planejar), o durante (executar), e o depois (colher os resultados e voltar ao planejamento).
Ou pelo menos, quem for o encarregado da execução participar da elaboração do planejamento. Isto dá consistência e comprometimento.
O plano é o resultado de um planejamento. O plano é sempre um exercício de previsão do futuro, portanto um mapa para guiar quem o executa na procura da sua trilha real, na sua caminhada, pés no chão, a cada passo.
Fazer acontecer é ajustar o plano à realidade encontrada, diariamente, passo a passo.
Para os amantes do planejamento estratégico:
– “o que vocês farão, amanhã cedo, ao acordar?”
Há um livro imperdível, editado em 1970, intitulado “dane-se a organização”, de robert townsend, editora best seller.
Na sua página 172, esse genial autor, atualíssimo, tem um pequeno artigo, que por haver me marcado durante toda a minha trajetória profissional, e por considerá-lo atual, eu me permito transcrevê-lo a vocês, pois é curtinho:
“planejamento de longo prazo: um happening
o planejamento é melhor quando é cuidado pelo chefe e por seus homens-chave.
Certa vez, me pediram para comandar um nove esforço de planejamento a longo prazo. Minha mulher ouviu minha entusiástica descrição da nova tarefa. Na noite seguinte, ela acabou com a minha alegria com uma única pergunta:
– o que você pretende fazer hoje, querido?
Abençoada seja.
Todos e quaisquer planejamentos estratégicos são meros exercícios intelectuais especulativos, se não forem colocados na arena do fazer acontecer.
Quaisquer planejamentos estratégicos são, no máximo, mapas imprecisos que representam a construção de cenários possíveis, onde vai rolar o fazer acontecer, o caminhar no sentido da geração dos resultados esperados.
Intitular algo de planejamento estratégico transmite uma idéia de que temos algo de valor nas mãos, exatamente por ser “estratégico”.
Há pessoas que advogam que administração é estratégia!!! Para mim administrar é antes de tudo obtenção de resultados. Podemos e devemos discutir e debater, sem sombra de dúvidas, quais são os resultados.
A rigor, é característica de todos e quaisquer planejamentos traçar um mapa para se sair de onde se está e ir onde se quer ir, prever os meios e encontrar a vontade de percorrê-lo.
O que existe é planejamento bom ou ruim, sendo somente possível julgar esse planejamento ‘a posteriori’, depois que transformamos o mapa em auxiliar na obtenção de resultados, em auxiliar no percurso do caminho real do fazer acontecer.
Fazer planejamento, ter um plano, não confere louros a ninguém, pois é somente atividade meio da obtenção de resultados.
No frigir dos ovos, fazer planejamento, planejamentos consistentes, é uma atividade necessária, mas meio.
O planejamento é um meio de se garantir os resultados esperados e acordados. Nem ao menos sou contra o planejamento, muito pelo contrário.
Fazer um planejamento é até “fácil”, pois o papel aceita tudo, o bom e o ruim.
Fazer acontecer os resultados é que é a briga maior, douglas, é o que o robert townsend ouviu de sua esposa, depois de fazer um excelente e lindo plano estratégico:
– “o que você vai fazer amanhã?”
Ter o plano estratégico em mãos é o começo da briga, não o fim, ou um fim em si próprio.
Eu tive como propósito de colocar este bes, pois há pessoas que julgam que administração é estratégia. E do jeito e da forma como falam, parece que a administração resume-se à confecção de um plano estratégico.
O plano estratégico é necessário, mas se constitui de uma simples e pura ferramenta meio usada com uma única finalidade: facilitar o percurso rumo aos resultados desejados.
Concluir um plano estratégico só quer dizer isso, terminou um plano estratégico.
Eu, na minha humilde opinião, administração é muito mais resultados do que estratégia. E não estou sozinho nessa minha assertiva, como veremos adiante.
Terminar um plano estratégico é sem glória e árido, obra de ficção, talvez até um certo onanismo intelectual, enquanto não é posto para ajudar na obtenção dos resultados.
O prêmio nacional da qualidade 2008, através da sua distribuição de 1000 pontos máximos possíveis, confirma a tendência mundial da valorização dos resultados:
– resultados = 450 pontos, 45 % do total de pontos (1.000 pontos possíveis);
– estratégias e planos = 60 pontos, 6% do total de pontos (1.000 pontos possíveis).
A ponderação entre 60 e 450 pontos dá uma idéia da importância relativa do planejamento e dos resultados.
A grande medida da efetividade de um planejamento é ele ter sido essencial na obtenção dos resultados desejados.
Ia esquecendo: Odiorne falou que se o seu planejamento não tem um dos seus 5 constituintes, a saber:
– ponto incial;
– ponto final;
– um caminho para unir os dois pontos;
– os recursos para empreender a caminhada;
– a vontade e a determinação de enfrentar o touro à unha;
se faltar apenas um deles, você não tem um planejamento, você tem tão somente uma preocupação.
Não transforme o seu planejamento estratégico numa preocupação.
O planejamento da sua empresa precisa ser feito e aprimorado. É fazendo e aprendendo, e refazendo e aprendendo que você vai aprender a fazer e refazer o seu planejamento. Mas tenha em mente que o planejamento é somente uma tentativa de dar coesão aos seus esforços na direção dos seus resultados.
Se o planejamento não está condizente com a realidade, jamais brigue com a realidade, refaça o planejamento para obter os resultados e o sucesso que você almeja.          Carlos Alberto de Faria – Merkatus – cafaria@merkatus.com.br

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