Sabor e Significado

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Após conversar com seus discípulos o mestre foi meditar à sombra de uma figueira, como costumeiramente fazia. Nesse dia um de seus mais jovens discípulos se aproximou e parou ao seu lado. Percebendo o ar do rapaz, o velho guru perguntou-lhe:
— O que o aflige, meu jovem?
— Suas parábolas, mestre — respondeu o rapaz — elas são muito belas, contam histórias maravilhosas, mas não consigo entender seus significados. Será que da próxima vez o senhor poderia explicar cada uma delas?

O mestre ficou de pé e contemplou o jovem discípulo por um instante. Em seguida falou:
— Veja que belo figo. — disse apontado para um dos galhos da árvore — Ele está no ponto de ser colhido, você não acha?
— Está sim, mestre — respondeu o rapaz ainda mais confuso.
— Você gostaria que eu o colhesse e lhe desse para comer?
— Seria uma honra, mestre, receber esse belo fruto de suas mãos.

O velho colheu o belo figo e voltou-se para o jovem aprendiz:
— Você gostaria também que eu o cortasse em pequenos pedaços antes de lhe entregar?
— Puxa, mestre, o senhor não precisa se dar a esse trabalho…
— Você costaria, meu jovem — continuou o velho mestre — que além de cortar eu mastigasse cada pedacinho e lhe desse na boca?
— Mas mestre… por que o senhor iria fazer isso? Eu posso mastigar sozinho, eu até mesmo poderia ter pego o figo direto da árvore! — disse o rapaz estupefato.

O guru fez uma pausa e em seguida falou:
— Cada parábola que eu conto em nossas conversas é como um fruto destes, que eu entrego em suas mãos, assim como o faz o operário que toda manhã vai ao pomar e traz à casa sua colheita. Você gostaria que ele mastigasse cada um dos frutos que colheu e lhe desse na boca apenas para engolir?

O rapaz sentou ao lado do mestre, e ambos meditaram em silêncio até o final do dia.

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