O Que Faz A Diferença É O Caráter

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Estou cada vez mais convicto de que se não trabalharmos arduamente na formação do caráter, de nada valerão as melhores habilidades e conhecimentos que alguém possa ter.

Ainda vivemos muito preocupados – nas famílias, nas instituições de ensino e nas empresas -, em proporcionar acesso e condições de desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que possibilitem ao futuro profissional e mesmo àqueles que já atuam, o instrumental necessário para que sejam bem-sucedidos em suas carreiras, seja em qualquer área ou profissão escolhida.

Assim tem sido a preocupação de muitos pais, o currículo e projeto pedagógico de muitas escolas e universidades e os programas de treinamento e desenvolvimento das empresas.

Decerto temos profissionais extremamente competentes em várias áreas, estrategistas, com alto nível de conhecimento e tantas habilidades que são capazes de elevar suas equipes e organizações para altos patamares de rentabilidade e lucratividade. No entanto, esses mesmos profissionais, por desvio de caráter são capazes de manchar a reputação das empresas, além da própria, gerando grande prejuízo para toda a cadeia e para a sociedade.

Eis, porque, defendo com ardor que precisamos investir em todos os tempos e lugares, no desenvolvimento das virtudes, dos valores humanos essenciais. Como disse Aristóteles, na Ética a Nicômaco, “a virtude do homem será a disposição do caráter que o torna bom e que o faz desempenhar bem a sua função” e “as coisas nobres e boas da vida só são alcançadas pelos que agem retamente”.

Possuir competências e não ter as virtudes como alicerce de vida e das decisões que precisam ser tomadas no dia-a-dia é o que temos testemunhado em nosso tempo.  Como lembra o mestre Stephen Covey: “Precisamos trabalhar o caráter e a competência para solucionar os problemas estruturais e sistêmicos. Lembre-se: trabalhe primeiro o programador se quiser aperfeiçoar o programa”.

A começar em nossas casas na educação dos filhos, nas instituições de ensino que têm uma responsabilidade muito maior que apenas transmitir conhecimento e, por que não? nas organizações empresariais, urge que se desperte para a importância de se investir na formação em valores humanos, sem os quais, tudo pode se perder.

Se quisermos um mundo melhor, o que significa melhores empresas, melhores famílias, melhores relações humanas etc, antes de tudo precisamos despertar e expandir a nossa consciência para a importância dos valores em nossa vida. O que fez, faz e a fará sempre a diferença é o caráter, a começar pelas lideranças. Aliás, é exatamente isso que, para mim, define um líder: o seu caráter.   Robson Santarém http://www.animah.com.br/

Mensagem A Garcia

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No ambiente corporativo, “Mensagem a Garcia” é uma expressão corrente, para designar uma tarefa muito difícil e espinhosa, mas que é absolutamente necessária, e precisa ser realizada de qualquer maneira, sob-risco de grandes perdas para a empresa. É tirada do texto criado pelo jornalista norte-americano Helbert Hubbard no século XIX, tem uma atualidade impressionante e é uma verdadeira aula de como avaliar

personalidades profissionais. Primeiro o autor nos conta como surgiu a idéia:

“A Mensagem a Garcia escrevi numa noite, depois do jantar, em uma hora para a revista “Philistine”. A idéia original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ser Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado – levou a mensagem a Garcia. É verdade – disse comigo mesmo – o herói é aquele que dá conta do recado: que leva a mensagem a Garcia.

Entretanto, dei tão pouca importância a este artigo que até foi publicado na revista sem qualquer título, mas começaram a afluir pedidos para exemplares adicionais: uma dúzia, cinqüenta, cem; e quando a American News Company encomendou mais de mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico. – Esse de Garcia – retrucou-me ele.

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo: “Indique preço para cem mil exemplares, o artigo Rowan, sob forma folheto, com anúncios estrada de ferro no verso. Diga também quando pode fazer entrega”.

Após, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente.

Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

A mensagem rodou países como a Rússia, Alemanha, França, Turquia,

Indostão e China. Durante a guerra entre a Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar de “Mensagem a Garcia a cada soldado russo que se destinava ao “front”. Os japoneses, ao encontrarem os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão que havia de ser uma informação valiosa e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Micado foi distribuído um exemplar a cada empregado civil ou militar, do governo japonês.

Para cima de cem milhões de exemplares foram impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

MENSAGEM A GARCIA

Em todo este caso cubano um homem se destaca no horizonte de minha memória. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se com o chefe dos insurretos, Garcia, que sabiam encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse dizer exatamente onde. No entanto, o Presidente precisava de sua colaboração o mais rapidamente possível. O que fazer?

Alguém lembrou: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é

capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”. O Presidente lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. Tomou a carta, meteu-a em invólucro impermeável, amarrou-a ao peito, e após quatro dias, saltou de um barco sem sequer uma cobertura, alta noite, nas costas de Cuba, se embrenhou no sertão para depois de três semanas surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregue a carta a Garcia.

O ponto que deseja frisar é este: MacKinley, o presidente, deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan tomou a carta e nem sequer perguntou: “onde é que ele está?”.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma grande empresa, em que a ajuda de muitos se torna necessária, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de um grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

A regra geral tem sido: assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito.

Ninguém pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de

todos os meios ao seu alcance para fazer com que outros homens o auxiliem, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia faça um milagre, enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz. Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova.

Estás sentado no teu escritório, rodeado de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: – Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e fazer uma descrição resumida de Corrégio.

Dar-se-á o caso de o empregado dizer calmamente: “sim senhor”, e executar o que lhe pediste?

Nada disso! Olhar-te á admirado para fazer uma ou algumas das seguintes perguntas:

Quem é ele? – Que enciclopédia? – Onde é que está a enciclopédia? – Fui eu acaso contratado para fazer isso? – E se Carlos o fizesse? – Já morreu? – Precisa disso com urgência? -Não quer que traga o livro para que o senhor mesmo procure? – Para que quer saber disso?

Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostre incapaz

de zelar pelos seus próprios interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. Este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis.

É a LEI DA SOBREVIVÊNCIA DO MAIS CAPACITADO. Cada patrão, no interesse comum, trata somente de guardar os melhores, aqueles que podem levar uma MENSAGEM A GARCIA”.

Adaptado do texto de Helbert Habbard – 01/12/1913

RESUMO

A importância dessa história é que existem poucos Rowans por ai. E são de pessoas como ele que o mercado precisa. Gente que ao receber um problema a ser solucionado, não importa como e onde, vai e resolve, ao invés, de não resolver coisa alguma e voltar com outros dez problemas novinhos de presente. Rowan não fez perguntas tolas e sem sentido, ele nem sabia quem era o tal Garcia, mas seu desejo em cumprir aquele pedido era tão grande que ultrapassava barreiras e lhe fazia “agir”.

É isso que falta no mercado. Pare com as perguntas idiotas e que só mostram como é grande o seu desinteresse e falta de criatividade na solução de problemas, não olhe para as barreiras e dificuldades elas sempre vão existir, faça com que seu desejo em cumprir o que lhe foi confiado seja maior que qualquer impedimento, comece a desenvolver a capacidade de solucionar problemas. Não espere que te tragam tudo já bem mastigado e as informações prontamente colhidas, vá você mesmo ao encontro delas. Trabalhar o tempo inteiro com facilidades ao alcance, ta cheio de gente por ai que é capaz de fazer. Para que você perceba as complicações em levar esta mensagem, Garcia estava escondido, pois caso fosse encontrado seria morto pelos espanhóis. Mesmo assim em menos de quatro semanas Rowan conseguiu entregar a carta passando pelo mar das Caraíbas e atravessando o deserto da ilha de Cuba.

Ele enfrentou obstáculos e não ficou esperando tudo pronto cair dos céus em suas mãos. Tomou decisões, seguiu em frente e conseguiu.

Mostrou como resolver situações inesperadas e difíceis. Basta ter interesse e disposição para correr atrás do que é preciso ser feito.

São pessoas assim que o mercado espera. São de pessoas assim que o mercado precisa.

Agora te pergunto. Você pode levar uma carta a Garcia?

Sua Opção

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Conhecimento não é suficiente, temos que aplicar o conhecimento; força de vontade não é suficiente. Temos que agir. Goethe

Você pode se preocupar longamente por aquilo que pode acontecer ou você pode tomar os passos para se preparar de maneira bem sucedida para qualquer coisa que surgir em seu caminho. Você pode fazer uma lista enorme das coisas que pode dar errado ou você pode aceitar o fato de que haverá obstáculos e decidir lidar com eles à medida que surgirem.

Você pode se esconder do mundo e permanecer dentro da sua zona de conforto onde ninguém pode lhe desafiar. Ou você pode usar cada segundo do seu precioso tempo para explorar novos horizontes, para se molhar, para se sujar, para sentir frio, para sentir calor e para se sentir maravilhosamente vivo. Você pode permitir que a menor derrota lhe dê a desculpa para desistir. Ou você pode aprender com aquilo que saiu errado e então entusiasticamente seguir em frente com o seu novo conhecimento e determinação.

Você pode com muita habilidade transferir a culpa de todos os seus problemas a alguma coisa ou a alguém que não seja você. Ou você pode assumir total responsabilidade e sentir a liberdade de estar em controle total da situação. Existem muitas coisas que você poderia ter sido, poderia ter feito, poderia ter visto, poderia ter conhecido e poderia ter experimentado. Porém, nenhuma dessas coisas se comparam com os lugares maravilhosos que você pode ir a partir de hoje quando você passa a agir com base naquilo que você genuinamente conhece.

Nélio DaSilva

Tudo O Que Já Fomos, Ainda Somos!

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A mudança é uma proposta interessante. Ao mesmo tempo em que pode nos encher de ansiedade e insegurança e até nos paralisar, quase sempre nos remete à expectativa de que tudo pode ser melhor do que tem sido. Mais ou menos como se estar satisfeito com o que já temos e com o que já somos, fosse sinônimo de covardia ou acomodação.

Faz sentido, em partes. Mudar pode mesmo ser assustador, já que nos impulsiona ao desconhecido. E pode também ser surpreendente e maravilhoso, já que nos possibilita ampliar os horizontes, abrir a mente e experimentar o novo.

No entanto, penso que a questão principal nem seja sobre mudar ou não mudar. Digamos que a mudança é inevitável. Portanto, discuti-la pode servir apenas para compreendê-la melhor. Penso que a questão, na verdade, tem a ver com quem nos tornamos cada vez que mudamos.

Se considerarmos que mudamos o tempo todo – de modo significativo ou imperceptível, propositadamente ou sem querer, consciente ou inconscientemente – não dá para dizer que somos completamente ‘outro’ a cada mudança. Somos os mesmos e, ainda assim, refeitos.

O que quero dizer, enfim, é que não substituímos o que fomos pelo que nos tornamos a cada mudança. Tudo o que já fomos, ainda somos! Somos as marcas, as cicatrizes e as lembranças de ontem, as ações, as escolhas e o modo como enxergamos o mundo de hoje, e os sonhos, a esperança e as possibilidades de amanhã. E tudo isso é fundamental!

Só que, infelizmente, algumas pessoas tendem a desperdiçar seus dias julgando sua história. Num esforço desgastante e inútil, tentam separar o que foi bom e o que foi ruim. O que foi acerto e o que foi erro. O que foi sucesso e o que foi fracasso. E nesta dinâmica, insistem na fantasia de que é possível ser completamente diferente do que se é. Ou do que se foi.

Penso que o intuito de viver é bem outro. É justamente somar. É exatamente considerar todas as camadas, todos os processos, todas as experiências. É genuinamente acolher a própria biografia com todos os seus ônus e todos os seus bônus. Todos os seus risos e todas as suas lágrimas. Todos os seus gozos e todas as suas dores.

E assim, podendo aprender com o passado, fincar os dois pés e o coração no presente e desenhar o futuro que deseja viver, sugiro que você observe – como se estivesse assistindo ao longa vencedor do Oscar de Melhor Filme – o quão emocionante e essencial foi cada uma de suas tristezas, cada um de seus amores e cada instante em que você decidiu, com todas as suas forças, ser quem você é!

É só isso que pode fazer a vida valer a pena! Ser quem você é! Não apenas uma parte. Não apenas o que é bonito de mostrar. Não só o que foi gostoso de ser. Ser quem você é por inteiro, podendo se levantar agora, de onde você estiver, e traçar um novo enredo para sua história. E que este novo se encaixe no velho e te refaça ainda mais intenso, mais profundo e com mais um broto de vida pra viver! Rosana Braga

A Culpa Torna as Pessoas Indefesas e Sem Ação

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Nada é mais prejudicial para a proatividade de uma pessoa do que viver com sentimentos de culpa não resolvidos. A culpa é proveniente de sentimentos negativos em relação ao passado. Coisas que fizemos ou deixamos de fazer; palavras que falamos ou deixamos de falar. Há pessoas que vivem mergulhadas no passado com sentimento nostálgicos ou de culpa e vivem travadas, sente-se indefesas, não agem.

É preciso reeducar a mente para a realidade de que só temos domínio sobre o nosso momento presente. Aquilo que fizemos a uma hora atrás, a 20 anos atrás ou mesmo a um minuto atrás pertence ao passado, à história. Não podemos refazer o passado. A história, mestra da vida, só nos serve para com ela aprendermos. Não há como apagá-la ou reescrevê-la. Daí, do ponto de vista pragmático, o sentimento de culpa em relação ao passado é um sentimento inútil. A única coisa que podemos fazer é pedir perdão, nos desculpar e mudar. Não mais cair no mesmo erro que nos trouxe a culpa.

Por isso o perdão é o melhor remédio para a culpa. Se temos um sentimento de culpa em relação a alguém, se for ainda possível, devemos pedir perdão a ela pelo que fizemos. Isso aliviará a nossa consciência e nos fará nos perdoarmos a nós mesmos.

Temos que aprender a nos perdoar. Todos nós cometemos erros mais graves e menos graves. Somos humanos e não deuses. E para nos perdoarmos é preciso que vençamos a nossa falta de humildade, o nosso orgulho, a nossa soberba. Pessoas que não conseguem se perdoar são, no fundo, pessoas cheias de si, orgulhosas demais para pedir perdão e se perdoar.

Para vencer sentimentos de culpa é preciso coragem e humildade. Coragem para nos olhar de frente e humildade para reconhecer que erramos e que muitas vezes ainda erraremos nesta vida. A coragem também nos dará a força para recomeçar quantas vezes for necessário, para nunca desistir, para lutar por princípios e valores elevados.

Prof. Luiz Marins – Antropólogo. Estudou Antropologia na Austrália (Macquarie University/School of Behavioural Sciences) sob a orientação do renomado antropólogo indiano Prof. Dr. Chandra Jayawardena e na Universidade de São Paulo (USP), sob orientação Profa.Dra. Thekla Hartmann

O Que Você Pode Fazer Para Mudar O Mundo

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Comece mudando a si mesmo. Ninguém muda o mundo se não consegue mudar a si mesmo …

Cuide da Saúde do Planeta. Não desperdice água, não jogue lixo no lugar errado, não maltrate os animais ou desmate as árvores. Por mais que você não queira, se nascemos no mesmo planeta, compartilhamos com ele os mesmos efeitos e conseqüências de sua exploração …

Seja responsável: não culpe os outros pelos seus problemas, não seja oportunista, não seja vingativo. Quem tem um pouquinho de bom senso percebe que podemos viver em harmonia, respeitando direitos e deveres …

Acredite em um mundo melhor. Coragem, Honestidade, Sinceridade, Fé, Esperança são virtudes gratuitas que dependem de seu esforço e comprometimento com sua Honra e Caráter. Não espere recompensas por estas virtudes, tenha-as por consciência de seu papel neste processo …

Tenha Humildade, faça o Bem, trabalhe. Não tenha medo de errar, com humildade se aprende, fazer o bem atrairá o bem para você mesmo e trabalhando valorizarás o suor de teu esforço para alcançar seus objetivos …

Busque a Verdade, a Perfeição, uma posição realista frente aos obstáculos, uma atitude positiva diante da vida…

Defenda, participe, integre-se à luta pacífica pela Justiça, Paz e Amor. Um mundo justo é pacífico, e onde há paz pode-se estar preparado para viver um grande Amor …

Você Ainda Se Enerva Com O Que Outros Dizem?

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Meu segundo emprego na vida, foi de arquivista e atendente de copiadora Xerox. Portanto, passava horas escutando as reclamações das pessoas, no balcão de cópias.

Foi quando me dei conta de que a maior parte das coisas que deixavam as pessoas estressadas eram apenas palavras ditas por outras pessoas. Palavras são como bolhas de sabão. As pessoas dizem e, muitas delas, logo depois, desdizem.

Um número menor de reclamações era sobre o que outras pessoas tinham feito. Isso incluía praticamente só ações que os reclamantes supunham que a outra pessoa deveria fazer e não fez. Ou, algo que a pessoa não deveria ter feito, mas fez.

Em três anos trabalhando lá, nunca escutei algo sobre agressões físicas, embora isso possa ocorrer. O que me surpreendeu é que praticamente todas as reclamações eram sobre idéias, conceitos abstratos. Imagens mentais.

As pessoas estavam reagindo à abstrações. Bolhas de sabão da realidade, não a própria realidade.

Não importa o que as pessoas dizem de você. Tudo o que importa é o que você acha disso. Se der valor, você ficará refém de outros. Se não der, fica livre delas. A única maneira de se magoar, se enfraquecer, é reagir negativamente ao que as outras pessoas pensam de você.

Suas emoções são resultados do que está na sua mente. Quem vai mandar nela hoje?

O Lascador de Pedras

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Acredita que outros vivem melhor do que você? Gostaria de ter nascido em lugar diferente, em outro País, desfrutar de outras condições? Quem sabe, ter outros pais? Melhor condição financeira? Assim também pensava Mogo, um jovem que viveu na China há muitos anos.

Ele ganhava seu sustento lascando pedras. Embora são e forte, não estava contente com sua vida. Queixava-se dia e noite. Tanto reclamou que seu anjo da guarda disse-lhe em sonhos, certa noite: “Você tem saúde e uma vida pela frente. Deveria ser agradecido a Deus. Por que reclama tanto e é tão infeliz?” “Deus foi injusto comigo”, disse o rapaz. “não me deu oportunidade de crescer.” Com medo que o seu protegido acabasse perdendo a sua vida, o anjo rogou ajuda ao Pai Todo Poderoso. Deus disse ao mensageiro que tudo o que Mogo pedisse lhe seria concedido. No dia seguinte, Mogo quebrava pedras quando viu passar uma carruagem com um nobre coberto de jóias. Desejou ser nobre. E transformou-se, então, em dono de um palácio, com muitas terras, servidores e cavalos. Passeando em uma das tardes, feliz porque todos se curvavam à sua passagem em sinal de respeito, sentiu um calor insuportável. Mogo transpirava como no tempo em que lascava pedras. Deu-se conta de que o sol era maior do que ele, estava acima de príncipes, reis, imperadores e muito mais alto que todos. “Por que não posso ser o Sol?” Escondendo a sua tristeza, o Anjo da Guarda atendeu seu desejo.

Enquanto brilhava no céu, admirado com seu gigantesco poder de amadurecer as colheitas, um ponto negro avançou em sua direcção. A mancha escura ficou à sua frente e ele não podia mais ver a Terra. “Anjo, quero ser nuvem.” Logo, poderoso, ele escurecia o sol. “Sou invencível”, gritava. Mas uma imensa rocha de granito se erguia em meio ao oceano.

Mogo achou que a rocha o desafiava, e se transformou em rocha. Certa manhã, Mogo sentiu uma lança aguda em suas entranhas de pedra. Depois outra. E outra. “Anjo, socorro! Alguém tem mais poder do que eu. Quero ser poderoso como este ser que está tentando me matar!” E transformou-se em lascador de pedras…

Moral? Estamos colocados no melhor lugar, na situação que necessitamos para progredir. Ninguém se encontra em lugar errado, nem ao lado de pessoas que não mereça. Tudo se encontra dentro da lei de progresso. Não existem problemas que não possamos vencer ou dificuldades que não consigamos transpor. Cada um de nós recebe exatamente a carga que pode suportar. Nem mais, nem menos. Saibamos ser reconhecidos a Deus pela vida, pela saúde, pelas dificuldades. Porque estrada sem pedras não é segura.

O Diálogo Dos Potes

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Havia dois grandes e belos potes que, num canto do quintal, falavam entre si:

– Ah que tédio! Viver aqui, exposto a tudo: sol, vento, chuva, calor… Por mais que eu me proteja, como sobreviverei? Aqui estou, perfeitamente tapado, lacrado para proteger-me e ainda assim sinto-me ameaçado, vazio. Não vejo graça em estar aqui.

Tranqüilamente, com amor e humildade retruca o outro pote:

– Veja, me encontro aqui, aberto, nada me protege a boca, ou melhor, o meu interior. Cai a chuva, eu a recebo. Vem o vento, eu o sinto bem dentro de mim. Vem o sol e me leva as gotinhas que retornam para o céu. Vem o novo e eu me torno o sujeito com e ao lado dos outros. E nem por isso me sinto ameaçado…

– Ora, grandes vantagens! Seu interior não guarda mais a cor original como o meu, sua cor é cada vez mais diferente. Você não é mais o mesmo!

– Sim! E isso me alegra! O meu interior se transforma a cada dia à medida que novas coisas me penetram. Posso sentir cada criatura que me visita e cada uma delas deixa algo de si para mim, assim como deixo para elas, pouco a pouco, minha cor.

– É, mas você não tem mais paz. A todo instante você é solicitado. Carregam você todo dia para levar água, ao passo que eu permaneço em meu lugar. Ninguém me incomoda quando se aproxima, já sei que é você que eles querem.

– Sim, se solicitam é porque tenho algo a dar e o que dôo não é diferente do que você pode dar. Deixo-me encher pela água que cai da chuva, tanto sobre mim quanto sobre você. Encho-me até transbordar. Outros seres precisam desta água e eu os sirvo. Me esvazio e me deixo encher de novo. Assim minha vida é um constante dar e receber. Enquanto isso, me desinstalo, saio do meu pequeno mundo e vou ao encontro de outros mundos. Já conheci potes diversos, animais, pessoas, tantas coisas e seres! E cada um me fez perceber ainda mais o pote que sou.

– Não sei… se continuar assim, brevemente serás um pote quebrado, gasto e, então, do que adiantará tudo isso?

– Creio que se me desgasto a cada dia é para ser possível a vida a outros seres. Vejo que o mais importante não é ser um pote intacto, tal como fui feito, mas um pote de valor como estou me tornando…. Se vou durar pouco tempo, se o pouco que viver tiver sentido, se me trouxer alegrias e me fizer sentir cada vez mais o que é um pote, isso me basta…

Já era tarde, o sol havia se escondido quando os dois se cansaram de falar. O pote aberto, sentindo-se cansado, logo adormeceu, o que não foi possível para o outro pote, que não conseguia dormir, pois algumas palavras ditas pelo companheiro lhe vinham à mente e não deixavam em paz:

– Participar; despojar-se; transformar o interior; paz; esvaziar-se; deixar algo de si; ser pote; deixar encher; pequeno mundo; desinstalar-se; trabalhar em equipe; escutar mais do que falar; amar; encorajar; avaliar; construir coletivamente; semear; ser feliz.

Na manha seguinte, um pote acordava, o outro dormia, porque fora o grande o seu esforço durante a noite para retirar a tampa que o acompanhava há tanto tempo…

“Não sei se a vida é curta ou longa demais, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas…”

Muita Aparência Pra Bem Pouca Consistência!

Muita Aparência Pra Bem Pouca Consistência

Praticamente impossível não surgir ao menos um assunto incluindo o tema “relacionamentos” numa rodinha de bate-papo, seja entre homens, mulheres ou os dois juntos.

É de praxe falar sobre um casal conhecido, a própria relação ou sobre causos ouvidos. Ou seja, a grande maioria das pessoas sempre tem uma opinião, uma história ou uma experiência vivida que inclui afeto, amor, paixão e todos os sentimentos consequentes.

Acontece que, cada vez mais, tenho tido a impressão de que o que se fala não é exatamente o que se sente. Ou melhor, a maneira com que se tem falado das situações que envolvem o coração é bem destoante do modo com que se tem vivido os sentimentos.

A meu ver, temos maquiado nossas palavras e colocações a fim de mostrá-las seguras, cheias de certezas, tão certas a ponto de tornarem-se inflexíveis, ao menos aparentemente. Parece-me que estamos convencidos de que precisamos provar que temos uma autoconfiança e uma autoestima imbatíveis, indestrutíveis, sobre-humanas talvez.

Mas estou certa de que a realidade não é bem essa! Na solidão de cada quarto, no consolo de um ombro amigo, nas confissões feitas nos divãs e até na busca esperançosa nos templos, igrejas e orações, fica evidente que há bem pouca consistência nesta aparente perfeição.

Mais do que isso, a fragilidade e os intermináveis questionamentos que rondam tantos corações estão gritando em cada relação vivida e até mesmo naquelas não-vividas. A carência, o medo de sofrer, dúvidas sobre o que fazer e como agir revelam o quanto o ego de tanta gente está bem maior do que sua consciência.

Por quê? Suponho que elas têm tentado – a todo custo – tão somente se defender. Entretanto, de tão defendidas, de tão cheias de couraças, escudos e máscaras, terminam subjugando sua essência e, portanto, se distanciando daquilo que realmente sentem.

Creio que a autopercepção seja um bom primeiro passo. Observarmos aquilo que estamos dizendo, pensando ou fazendo é uma maneira eficiente de constatarmos o quanto nossas palavras têm estado desafinadas com o que carregamos no peito.

Frases carregadas de prepotência, do tipo “eu sou assim e pronto”, “se quiser, ele (ou ela) que mude de ideia”, “ninguém vai mandar em mim”, entre outras, só servem para encorpar um orgulho que não nos preenche e nem nos satisfaz.

Que a partir de agora, possamos admitir mais: “não sei”, “talvez eu tenha mesmo que mudar de ideia”, “quem sabe eu esteja enganado?”, “estou confuso, com medo, precisando de ajuda”…

E que assim, bem mais consistentemente humanos, possamos nos encontrar num abraço maior que nossos próprios braços, que nos acolha não porque parecemos sempre certos, mas porque somos sempre ‘gente’… e gente precisa de afeto!  Rosana Braga