Tempos Velozes

LONDRESO mundo está mudando. Mas a novidade não é a mudança do mundo, porque o mundo sempre mudou. A novidade é a velocidade da mudança. Nunca em toda a história humana se mudou com tanta velocidade. Aliás, a velocidade é tamanha que mudou a nossa noção de tempo. Cada dia você levanta mais cedo e vai deitar-se mais tarde. Sempre com a sensação de que deveria estar mais tempo acordado. Parece que é preciso estar o tempo todo em estado de vigília.

Velocidade, mudança, alteração – tudo é fast. Fast- food, drive- thru, lava- rápido.

Você lavaria seu carro em um lava- lerdo? Por que não? Onde anda aquele ditado que diz que “a pressa é inimiga da perfeição”? E aquele que diz que “devagar se vai ao longe”?

A velocidade é tanta que mudou a ideia de geração.

Quando criança, eu usava o termo “antigamente” para me referir a gregos e romanos.

Já esses jovens falam “antigamente” em relação a fatos que não ultrapassam duas décadas. E nos inquirem:

– É verdade que antigamente não tinha controle remoto?

– É verdade.

– Então, antigamente era preciso levantar para mudar de canal?

– Sim.

Até a maneira de disputar uma partida de futebol mudou. Nos anos 1970, um jogador corria, por partida, seis quilômetros em média. Hoje, estatística refeita, um jogador percorre, em média, o equivalente a 13 quilômetros por jogo. Não mudou o tamanho do campo, nem a duração da partida e tampouco o número de jogadores. O que mudou? A velocidade do jogo, o ritmo e a estratégia.

Algo similar ocorre no mundo das empresas. Mudou o jogo, mudou a estratégia. E tem gente que acha que dá para fazer do mesmo jeito que já fazia antes. Os cenários são turbulentos, as condições se alteram e as mudanças são muito velozes. A coisa mais perigosa num mundo que muda velozmente é achar que já se chegou aonde podia. Ou seja, sossegar. A pior coisa para construir futuro é achar que o passado já sustenta. Sabe qual é o maior pecado para quem quer criar futuro? Achar que já está pronto, achar que já sabe, achar que já ficou bom. Cuidado! O seu cliente, o seu consumidor tem de ficar satisfeito, mas você jamais pode ficar satisfeito.

Nós brasileiros, temos um vício, que é muito perigoso, de nos contentar muitas vezes com o possível, em vez de procurarmos o melhor. Por exemplo, você chega ao mecânico: “O meu carro está com um problema, estou ouvindo barulho”. Ele fala: “Vou fazer o possível”. Você fica desanimado, mas aceita.

Nessas horas, temos de aprender com os norte-americanos. Não devemos aprender tudo com eles, nem devemos rejeitar tudo que vem deles. Mas quando se pede algo a um norte- americano, ele diz: I will do my best, ou “Vou fazer o meu melhor”. Não é uma diferença de idioma, é uma diferença de atitude. Há uma diferença estupenda entre o possível e o melhor. Num mundo competitivo, para caminhar para a excelência é preciso fazer o melhor, em vez de contentar-se com o possível. Fazer o possível é obvio. Agora fazer o melhor é exatamente aquilo que cria a diferença. Se o mecânico responde: “Vou fazer o meu melhor”, você já se anima, confia.

Imagine você, submetido a uma cirurgia de extirpação do apêndice, e deitado, olhando para o médico a caminho do centro cirúrgico:

– Doutor, vai dai certo minha cirurgia?

– Vou fazer o possível.

Nessa hora você quase falece. Agora pense em como se sentiria se a resposta fosse ligeiramente diferente:

– Doutor, vai dar tudo certo?

– Vou fazer o meu melhor.

Já imaginou? E essa busca pelo melhor exige humildade e exige que coloquemos em dúvida as práticas que nós já tínhamos. Porque se as práticas que tínhamos e temos no dia a dia fossem suficientes. Já estaríamos melhor. Mário Sergio Cortella

3 Responses to Tempos Velozes

    • Simone, na parte esquerda do site, no índice, clique em LIDERANÇA e você terá uma quantidade boa de artigos para pesquisa.
      Espero que o site ajude a encontrar o que procura.
      Abraços!

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