Ter Foco é o Segredo

Ter Foco é o Segredo

Um dos líderes do comércio eletrônico brasileiro, o MercadoLivre aposta na inovação e visão de longo prazo para crescer. aqui, Stelleo Tolda, presidente da empresa, responde às suas perguntas
Da Redação

Maior site de comércio eletrônico da América Latina, o MercadoLivre surgiu numa época em que a compra e venda online mal existia no Brasil. O site passou pela bolha da internet, saiu ileso da crise das pontocom, batalhou para conseguir investidores – e se deu bem. Dez anos após ser criado, o MercadoLivre tem hoje mais de 33 milhões de usuários em 12 países e movimentou, no ano passado, US$ 2,1 bilhões em vendas. “O segredo da longevidade está no foco que tivemos desde o início. E uma visão de longo prazo”, afirma Stelleo Tolda, presidente do MercadoLivre.
1.De um tempo para cá, vemos cada vez mais engenheiros em postos de comando nas empresas. Com uma formação que poderia levá-lo para diversos caminhos, quando foi que você percebeu que havia espaço para o comércio eletrônico no Brasil? Marrison de Souza | Paris, França
Quando a internet comercial veio para o Brasil, comecei a ver potencial para um negócio como o MercadoLivre. Isso foi em 1998, quando conheci o Marcos Galperin, fundador da empresa. Ele era meu colega de classe num mestrado em Stanford, nos Estados Unidos. Quando voltou para a Argentina, seu país de origem, lançou o MercadoLivre e me chamou para abrir a operação brasileira. As novidades da internet comercial aconteceram ao longo desse período, de 1998 a 2000, quando houve um grande impulso, um fluxo de capitais, uma série de investidores interessados em colocar recursos. Não existiam só as ideias, mas o capital e as pessoas com formação e vontade de embarcar numa nova carreira.
Um pouco do segredo da nossa longevidade está no foco que tivemos desde o início. O MercadoLivre começou em 1999 e sempre tivemos uma visão de longo prazo. À época, passamos pelo famoso estouro da bolha da internet, mas vimos isso como uma oportunidade. Até fizemos algumas aquisições na sequência.

2.Qual o diferencial do MercadoLivre em relação a tantos outros que quebraram? Welton Kroger | Salvador, BA
3.Quais as diferenças entre o MercadoLivre e o americano eBay? Sergio Borges | São José dos Campos, SP
O eBay surgiu em 1994 e esteve sempre muito vinculado ao conceito de leilões online. O MercadoLivre surgiu com base no eBay, mas identificamos que existia um potencial maior no comércio eletrônico com o formato de venda direta, a preço fixo. Acho que essa é a principal diferença. O MercadoLivre abraçou um conceito mais abrangente. Não é à toa que hoje temos mais de 40 mil famílias que vivem de vender no MercadoLivre e que têm a empresa como principal canal de comércio. O eBay, apesar de ter mudado ao longo do tempo, ainda tem o foco no conceito de leilão.
4.Por que o MercadoLivre, que pertence ao eBay, não usa o soft­ware desse site, que é muito melhor? Wellington Saamrin | Brasília, DF
O eBay não é dono do MercadoLivre, mas um acionista da empresa, com participação de 18% no capital. A gente tem uma plataforma que é completamente independente. A preferência por uma ou outra plataforma é muito pessoal. A gente trabalha olhando o que há de melhor nas plataformas, não só do eBay, mas de várias outras empresas de comércio eletrônico no mundo.

5.Como você e seu departamento de marketing lidam com a imagem negativa associada a alguns sites de compra? Gustavo Loiola | Curitiba, PR
O mito em relação às compras na internet está sendo vencido ao longo do tempo. E agora, como temos pessoas que nasceram num ambiente digital, isso pode mudar completamente.
6.Gostaria de saber quando o MercadoLivre será um local seguro para comprar. Já fui vítima de vendedores falsos, que somem com o pagamento sem entregar o produto. Fabio Lansarin | Curitiba, PR
Lamento pelo que aconteceu. O MercadoLivre é uma plataforma bastante popular, mas também muito segura. Os números de transações malsucedidas são da ordem de uma a cada 10 mil, bastante baixos se comparados aos índices globais. Temos uma série de recomendações de segurança, como olhar a qualificação dos vendedores e usar o sistema de pagamento que permite pagar só depois de receber o produto.
7.A inovação é importante para o MercadoLivre? Há investimentos nessa área? Ana Carolina Ribeiro de Lima | Salvador, BA
A gente não fala em números, mas inovação é, sim, algo essencial para o negócio. Temos uma equipe de desenvolvedores que se dedica a implementar projetos que são pensados visando melhorias e novas ferramentas. A plataforma é dinâmica. A cada seis meses, pelo menos, temos novos projetos implementados. Se você olhar para o site, ele dificilmente será igual ao que era há seis meses.

8.Por que o MercadoLivre não tem um “Fale Conosco”? Clovis Almeida Cardoso | Salvador, BA
O MercadoLivre tem um Fale Conosco, mas não é por telefone. Nosso público é de internet e entendemos que esse é o nosso principal canal de comunicação. Já dispomos de um atendimento por e-mail e chat. Existe a intenção de, no futuro, ter um atendimento por telefone, mas ainda não sabemos quando.
9.Que impacto você acha que o Mobile Commerce irá trazer ao comércio eletrônico? Everton Noguez | Pelotas, RS
Sem dúvida, o celular como plataforma de ponto de contato na internet tende a crescer muito. A facilidade e a velocidade de navegação na internet por meio do 3G já é uma realidade. O custo desses aparelhos ainda é muito alto, mas acho que vai diminuir ao longo do tempo.
10.O que você recomenda para os empreendedores do país que têm vontade de vencer? Peterson Pita | São Paulo, SP
Persistência, antes de tudo. Hoje já dispomos de um arcabouço que inclui investidores – e capital é essencial para que uma ideia saia do papel. Talvez, com o cenário mundial atual, a obtenção de recursos não seja tão fácil. Mas tem de acreditar e insistir. Quando o site foi lançado, há dez anos, muito da infraestrutura que a gente gostaria ainda não existia. O sistema de envio de mercadorias pelos Correios era incipiente, não tinha uma boa logística para a entrega. Isso era importante, mas não nos impediu de seguir em frente.                 Época Negócios

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