Trabalho: Você Gosta Do Que Faz?

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Converso com muitas pessoas que estão no ambiente empresarial – eu mesma trabalhei por anos em grandes e pequenas empresas – e o que encontro, na maioria das vezes, são pessoas infelizes, mas que vão levando, por não acreditarem que possa haver emprego ou trabalho melhor.

Clientes também me trazem esta insatisfação, e acreditam que ao prestarem um concurso e conseguirem estabilidade num emprego público, terão resolvido seu problema, pois já que não gostam de seu emprego atual, aceitam a possibilidade de também não gostar de um eventual futuro emprego público, mas ao menos no emprego público terão a estabilidade que a carreira na empresa privada não promete.

Conheci um rapaz via Linkedin que me pareceu muito competente, e com uma carreira bem desenvolvida, até que… até que perdeu o emprego por redução de pessoal, e hoje, com mais de 50 anos, não consegue uma nova colocação à altura de sua experiência. Mas e toda experiência e conhecimento que ele tem, não são valorizados? O que importa mesmo são seus 50 anos de idade?

Em um artigo anterior falei sobre nossos verdadeiros amigos. Recebi muitos comentários de pessoas que, ao mudarem de empresa, perderam seus amigos, ou melhor, descobriram que na verdade nunca tiveram amigo algum… Um outro comentou que era comprador e, ao mudar de lado, virando vendedor, percebeu que todos os seus amigos não mais existiam, pois agora ele estava do outro lado da mesa.

E quando seu colega vira seu (incompetente) chefe? E quando você dá o seu melhor, e o reconhecimento vai para o colega da mesa ao lado ao invés de vir para você? E quando, ao reconhecerem seu talento, os colegas de trabalho se unem para puxarem seu tapete? E aquele chefe, que ao constatar que seu subordinado é muito mais preparado que ele faz de tudo para impedir o crescimento de seu funcionário?

O ambiente empresarial não é mesmo fácil, convenhamos. Também não é exatamente o lugar para encontrarmos amigos verdadeiros, embora eu tenha tido o privilégio de fazer algumas amizades que perduram até hoje, anos depois de um dia termos trabalhado na mesma empresa.

Mas voltando à pergunta do início do artigo: onde estão as pessoas que gostam do que fazem?

Estão em todos os lugares, basta procurar. Conheço pessoas que começaram um negócio pequeno, e hoje o fizeram grande, não pelo poder ou pelo dinheiro, mas pelo desafio, por terem uma alma empreendedora, por desejarem se provar a todo instante que são capazes daquele feito.

Conheço profissionais autônomos, que em sua pequena toada, amam o que fazem, embora sejam tão pouco reconhecidos pela sociedade. Cozinheiras maravilhosas que amam o que fazem, mas não possuem seu próprio restaurante. Mães dedicadas, que abdicaram de uma carreira profissional para cuidarem dos seus filhos, e são plenamente realizadas com esta tarefa, pois não existe algo mais gratificante do que cuidar de um ser, poder moldar seu caráter, poder dar bons exemplos para que seu filho seja uma pessoa íntegra, honesta, correta, amável com todos, sem preconceitos de cor ou classe social.

Conheço pessoas que se reinventaram e largaram sua carreira de alguns anos, buscando outros caminhos para sua realização pessoal e profissional. Químicos que hoje trabalham com Reiki, engenheiros, corretores de imóveis, administradores que hoje são pet sitters, babás de animais domésticos, dedicando-se ao passeio diário ou a visitas, quando os donos, ou melhor dizendo, tutores, têm que viajar e precisam de alguém que cuide de seus animais.

Hoje existem muitas profissões que há alguns anos não existiam, pois o mundo moderno é muito complexo, e possibilitou que novas profissões surgissem, como o Coach – ainda pouco conhecido fora do âmbito empresarial. Tenho uma colega Coach que trabalha com Coaching de Carreira, e me diz que, na verdade, acaba fazendo um trabalho de Coaching de Vida, pois a carreira faz parte da vida do cliente, e acaba sendo impossível fazer um processo de coaching de carreira sem tocar na vida do cliente.

Eu mesma, ao ter escolhido o Coaching Afetivo, busco propiciar uma vida afetiva melhor para os meus clientes, pois ao se realizarem afetivamente, estarão se realizando pessoalmente, em suas vidas. Alguns buscam consequentemente uma realização profissional, outros uma realização espiritual. Ou seja, uma realização alimenta outras que virão.

Se você trabalha só por trabalhar, sem gostar do que faz, pense no porquê não se permite mudar de carreira, ou talvez vislumbrar outras oportunidades na mesma empresa em que você está atualmente. Hoje o estudo está muito mais acessível a todos, principalmente à distância, via internet. Se desejar, permita-se estudar para uma nova profissão.

Poderemos chegar facilmente aos 100 anos, conforme avança a ciência. Portanto, aos 50 anos, estamos somente na metade da vida. Seria então justo desistir de nossa realização profissional por causa da idade? Roberto Marinho fundou a Rede Globo aos 60 anos. A idade não foi impedimento para ele, e não dever ser para você também.   Patrícia Camargo

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