Transforme Sua Equipe Em Um Time De Sucesso

De que maneira as organizações devem trabalhar suas equipes, para que essas não alcancem apenas os resultados esperados, mas também surpreendam com uma performance destacada e se tornem times bem-sucedidos? Foi justamente para encontrar a resposta para esse questionamento – que paira na mente de muitos gestores e profissionais de Recursos Humanos, que Vânia Lúcia Pereira de Andrade, psicóloga organizacional e professora do IESB – Instituto de Educação Superior de Brasília em disciplinas relativas à área de Recursos Humanos, realizou uma pesquisa referente à “potência em equipes de trabalho”. Ela afirma que o senso de potência pode sofrer influências positivas ou negativas, que irão fortalecê-lo ou enfraquecê-lo. “Estas influências devem-se à percepção da equipe de que os membros estão capacitados, tempo, recursos, reputação, acesso aos gestores e serão recompensados pelo cumprimento de tarefas e metas”, defende.

Em entrevista concedida ao RH.com.br, Vânia Lúcia revela o que a motivou a realizar esse trabalho e que, apesar de ser um assunto ainda recente no Brasil, precisa receber mais atenção das empresas. Ela faz uma abordagem bem interessante sobre essa temática e aponta quais as principais dificuldades que as organizações encontram para estimular a potência das equipes no dia-a-dia. No entanto, para vencer esses obstáculos, é fundamental trabalhar alguns fatores considerados negativos que prejudicam significativamente o desempenho dos profissionais. Confira a entrevista na íntegra e veja que colaboração você pode dar e tornar as equipes da sua empresa em times bem-sucedidos. Boa leitura!

 

RH.COM.BR – Recentemente, a Sra. realizou uma pesquisa sobre “A potência na efetividade das equipes”. Qual o objetivo do seu trabalho?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – Atuo como psicóloga organizacional desde 1990 e durante este tempo desenvolvi vários trabalhos com equipes. No Brasil, a potência em equipes é um tema novo, portanto com uma literatura nacional escassa. Em contrapartida, percebe-se que as organizações cada vez mais têm adotado o formato de equipes em seus organogramas com o objetivo de buscar a efetividade no trabalho. Estas unidades produtivas sempre me despertaram interesse e acredito que o senso de potência pode ser crucial para dinamizar a produtividade, melhorar a qualidade e obter resultados satisfatórios nas organizações. Desta forma, um estudo referindo-se ao tema aquilataria os conhecimentos existentes até o momento.

 

RH – Como se encontram os estudos voltados para a potência em equipes de trabalho no Brasil?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – Conforme mencionado anteriormente, a potência em equipes é um assunto novo no Brasil e se encontram apenas alguns estudos na Universidade de Brasília. O instrumento para aferir este fenômeno foi desenvolvido em 2007 pela psicóloga Ana Cristina Portmann Borba. O instrumento foi revalidado nesta pesquisa que fiz e tem demonstrado ser uma ferramenta confiável para mensurar o fenômeno. O tema foi proposto por dois pesquisadores Gregory P. Shea e Richard A. Guzzo em 1987 e apenas nesta década começou a ser pesquisado no Brasil.

 

RH – Quais as principais conclusões reveladas pela pesquisa?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – Na pesquisa, a potência apresentou duas dimensões, uma voltada para o desempenho produtivo e outra para o relacionamento social dentro das equipes. Foi investigado o efeito da potência, nestes dois aspectos, sobre a efetividade das equipes. Esta efetividade foi mensurada por meio da satisfação e do comprometimento das mesmas. Os resultados apontaram que o senso de potência voltado para o desempenho produtivo é o que mais impacta na efetividade das equipes, ou seja, quanto mais seus membros acreditam que possuem recursos, treinamentos, habilidades, talentos e tempo suficientes para a sua produção, mais a equipe tende a ser efetiva na realização das tarefas a ela destinadas.

 

RH – Os resultados foram uma surpresa ou já eram esperados?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – Os resultados foram parcialmente inesperados. Levando-se em conta a organização pesquisada, concluiu-se que a crença da equipe no seu desempenho produtivo, ou seja, na sua capacidade, na sua competência para realização de trabalhos, para resolver problemas e alcançar metas, parece exercer mais influência do que a crença no seu relacionamento social, representado pela cooperação, integração e confiança, quando se trata de mensurar a efetividade. Estes achados nos remetem ao pensamento de que para se chegar ao nível adequado de comprometimento e satisfação a crença nos recursos técnicos para trabalhar influenciam mais do que as crenças referentes ao relacionamento entre seus membros. Este resultado foi diferente do esperado, pois se previa que o relacionamento social influenciasse mais em respostas afetivas como a satisfação e o comprometimento.

 

RH – Qual a metodologia utilizada na pesquisa?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – A pesquisa foi realizada em uma organização que possuía o desenho de equipes em sua estrutura e contava com cerca de 840 funcionários em seu quadro de pessoal. Participaram da pesquisa 42,5% dos colaboradores de fontes diferentes como: engenheiros, técnicos, assistentes e auxiliares, integrantes de 35 equipes de trabalho. Para aferir os fenômenos optei por adotar instrumentos previamente validados psicometricamente. A escala que mede potência da equipe foi elaborada e validada psicometricamente por Borba em 2007; a escala para mensurar satisfação em equipes de trabalho é uma versão adaptada para a realidade nacional, foi validada por Puente-Palacios em 2002 e extraída do instrumento desenvolvido por Van der Vegt e colaboradores em 2000. A escala para aferir o comprometimento com a equipe foi validada e adaptada por Puente-Palacios e Caixeta em 2005 e foi baseada na escala de comprometimento afetivo organizacional, desenvolvida por Bastos em 1992.

 

RH – O que podemos compreender por potência em equipes de trabalho?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – A potência diz respeito à convicção de que os membros podem ser efetivos e bem-sucedidos na realização de tarefas, em suma, trata-se de uma crença compartilhada por membros sobre a sua competência coletiva. Geralmente, a potência é estuda em conjunto com outras variáveis na mensuração da efetividade como, por exemplo, a interdependência de tarefas e a interdependência de resultados. Os fatores internos à equipe que determinam a potência seriam os objetivos e o tamanho do grupo, a habilidade, a capacidade, o conhecimento e a experiência de seus membros, além do estado de humor, estresse e fadiga. Os fatores externos estariam ligados aos recursos, recompensas, reputação, liderança e aprendizagem vicária, ou seja, observação de experiências bem-sucedidas ou não de outros grupos semelhantes. Somam-se a esses fatores as vivências de sucesso ou fracasso da equipe.

 

RH – Quais os benefícios que o estímulo à potência em equipes de trabalho gera ao meio organizacional?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – O estudo do senso de potência em conjunto com outras variáveis pode proporcionar uma base para auxiliar na organização da Gestão de Equipes incluindo o estímulo de práticas que conduzam à efetividade, pois empresas e supervisores podem influenciar os fatores causais deste fenômeno. Desta forma, a crença que a equipe tem em si pode ser afetada de acordo com o tipo de feedback recebido e os recursos disponíveis. A prática organizacional engloba o diagnóstico e a intervenção sobre o que a equipe acredita ser necessário para atingir seus resultados, focando no desempenho e nos relacionamentos desenvolvidos no caminho a ser percorrido rumo à efetividade.

 

RH – Qual a grande dificuldade que as organizações enfrentam ao estimularem a potência em equipes de trabalho?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – A principal dificuldade hoje recai sobre o desconhecimento deste fenômeno. A compreensão sobre o quanto é importante a equipe acreditar em si pode levar a mudanças que potencializem a efetividade.

 

RH – As crenças de um grupo influenciam a performance das equipes?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – Estas crenças influenciam fortemente a performance das equipes, pois os membros precisam acreditar que possuem se não todos, ao menos parte dos subsídios necessários para lograrem seus resultados. Todos estes aspectos ajudam a fortalecer o senso de potência, cabe aos gestores atuar de forma a proporcionar um fortalecimento deste senso e, conseqüentemente, maximizar o desempenho de suas equipes.

 

RH – Como identificar os verdadeiros talentos em uma atividade realizada em grupo?

Vânia Lúcia Pereira de Andrade – Creio que a identificação dos verdadeiros talentos no transcorrer de atividades em grupos de trabalho está voltada para um olhar holístico dos líderes e dos gestores sobre seus colaboradores. Um olhar que permita enxergar comportamentos que são demonstrados através de seus conhecimentos, habilidades e atitudes. Comportamentos que favoreçam a percepção da competência não apenas profissional e técnica, mas também interpessoal, que está ligada à capacidade de se relacionar e de compartilhar, características estas, garimpadas pelas organizações dinâmicas e competitivas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *