Três Segredos Para Dizer “Não” E Se Sentir Bem Consigo Mesma

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Você pergunta para um colega de trabalho se ele pode te ajudar com uma dúvida e ele simplesmente responde “NÃO!”, te dá as costas e sai.

Ao chegar em casa, entre uma conversa e outra com a pessoa amada, você pergunta se ela pode fazer o supermercado neste final de semana porque você vai participar de uma ação de trabalho e não terá tempo. Seu amor te olha nos olhos e diz “NÃO POSSO!” e sai.

Como você se sente?

Algumas raras pessoas conseguiriam assimilar esse “NÃO” de uma forma suave e tranquila e lidar com a situação de uma forma madura e equilibrada.

A grande maioria, por outro lado, mergulharia num misto de sensações e sentimentos que seriam fortemente reforçados por uma sequência absurda de pensamentos!

Pensamentos como “que grosseria!”, “quanta falta de gentileza!”, “por que eu sempre faço tudo pelos outros e quando preciso de ajuda, as pessoas simplesmente se negam?”, “nunca mais peço nada!”, “que egoísta!”, “como eu sou idiota!”.

E sentimentos como raiva de si mesma por não saber fazer o mesmo quando não está a fim de atender ao pedido de alguém, mágoa do outro, indignação pelo modo como o outro se posiciona, aperto no peito, nó na garganta, lágrimas, reações explosivas, cobranças, silêncio magoado e dolorido, sensação de não ser amada, rejeição, entre outros.

E você, o que responderia nessas duas situações? Se um colega pedisse ajuda no trabalho, você diria sim ou não? Se a pessoa que você ama te pedisse um favor por estar ocupada, você diria sim ou não?

Seja o mais sincera possível consigo mesma ao responder! Ou seja, na maioria das vezes, quando alguém te faz um pedido, você diz sim ou não?

Por fim, sua resposta tem a ver com o modo como você está se sentindo diante daquele pedido ou tem a ver com o modo como você imagina que a pessoa vai se sentir caso você se negue a atender o pedido dela?

A quem você mais quer agradar? A si mesma ou ao outro? Quem você mais tem dificuldade de frustrar: a si mesma ou ao outro?

É inacreditável o número de pessoas que vive em função do que supõe (ou até sabe) que o outro vai sentir em vez de viver em função de seus próprios valores e sentimentos e de suas próprias razões para dizer sim ou não!

E isso acontece por dois motivos: ou porque a pessoa não sabe lidar com o “NÃO”! Diante do “não” do outro, não consegue simples e naturalmente perguntar “por que não?”, num tom de quem apenas quer saber o motivo e realmente entende que o outro tem o direito de se negar a fazer qualquer coisa que não queira ou não possa!

E, nesse caso, o problema é que a simples negação do outro dispara um sem-fim de interpretações equivocadas, distorcidas e parciais sobre quem o outro é (egoísta, grosseiro, ingrato, etc).

Ou, ao contrario, porque a pessoa, de tão desmerecedora que se sente, sequer se dá espaço ou o direito de questionar o não do outro.

Ou seja, ela simplesmente engole o “não”, mas jamais se permite dizer esse mesmo “não”, de tão tensa e preocupada que fica com o que podem pensar dela ou com o mal estar que o outro vai sentir diante do seu “não”.

Porém, o fato é que o modo como você recebe o “não” do outro e, principalmente, o quanto você se permite dizer “não” para o outro revelam, sobretudo, o que você pensa de si mesma!

Porque, no final das contas, tem tudo a ver com dizer “sim” para si mesma antes de atender qualquer pedido de alguém! Tem a ver com conseguir se colocar, respeitar suas próprias vontades e fazer uma escolha que seja coerente com seu desejo, seus valores e sua disponibilidade. Tem a ver com o quanto você sente que tem esse direito… ou não!

Então, considerando que você, se conseguisse, adoraria dizer “não” para alguém, reflita comigo:

Por que você diria não?
Saiba que você pode dizer não para o pedido de alguém simplesmente porque você não quer fazer. Por exemplo, sua amiga te convida para ir a um bazar no sábado a tarde e você não quer ir. Ponto. Talvez você queira dizer não porque esse pedido vai contra o que você acredita e quer para sua vida. Ou talvez ainda porque você realmente não pode e, se fizer, vai se prejudicar de alguma forma. Qual é o seu motivo? Você nem precisa, necessariamente, contar ao outro. Mas precisa saber internamente. Precisa aprender a se questionar.

Quais as prováveis consequências que o seu não vai gerar?
Primeiro: talvez nem gere tantas consequências ruins como você imagina. No mais, você está sendo egoísta porque essa pessoa é sempre parceira e você se sente no dever de retribuir? Ou apenas ela vai ficar chateada porque não sabe ouvir não? Você consegue lidar com a mágoa dela? Essa pessoa é realmente importante pra você ou você simplesmente não aguenta a ideia de não ser querida por todos? Veja que a sua resposta tem tudo a ver com você e não com o outro.

Sua decisão precisa fazer sentido pra você!
Se você não conseguir descobrir por que você adoraria dizer não ao pedido de alguém, e se você não conseguir analisar, de modo realista, o que o seu não pode gerar e o quanto você está pronta para lidar com essas consequências, você vai continuar experimentando uma verdadeira tortura toda vez que alguém te pedir algo e você sentir vontade de dizer não.

Por isso, minha cara, parta do pressuposto de que todo mundo tem o direito de dizer não, inclusive você. E que você não pode decidir por ninguém, mas pode e deve decidir por si mesma. Você nunca será querida por todos, mesmo dizendo sempre sim.

E só tem um jeito de conseguir ser uma pessoa que diz não quando quer dizer não e sabe lidar com as consequências: treinando, experimentando, errando e consertando, se questionando, refletindo e, acima de tudo, desenvolvendo maturidade suficiente para saber ouvir e falar um não e se sentir tão justa e digna de ser querida quanto se tivesse ouvido e dito sim.

Afinal, você disse sim, só que para si mesma – a pessoa mais importante da sua vida! Sim pra você porque se deu o direito de pedir. e soube lidar com a disponibilidade do outro. E sim pra você porque escolheu fazer o que era melhor naquele momento, na sua vida.

Esse é o princípio da honestidade e da transparência. Esse é o princípio da autoestima!     Rosana Braga

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