Você Trabalha Em Equipe Ou Trabalha Junto?

Você trabalha em grupo / equipe ou, ainda faz como a maioria, anda trabalhando junto? Você já parou para pensar nisto? O que você anda fazendo nas reuniões e atividades de grupo na sua empresa? Qual tem sido a resultado obtido por tanto esforço? Ah! Você não tem tempo para responder? Vai a elas somente porque é obrigado. Assim que puder manda o estagiário novo que está contratando representá-lo. Porém, não descuide do assunto. Esta questão é muito importante e valiosa. Deve ser discutida continuamente nas empresas, escolas e grupos sociais. A imagem que se construiu ao longo do tempo é de que o trabalho em grupo ou em equipe requer obrigatoriamente um local, uma  sala para que todos estejam juntos a fim de realizar uma determinada tarefa. E, quando falamos no ambiente das empresas, por exemplo, esta visão ganha reforço ao permitir que se valorizem estes trabalhos. Nelas ocorrem em sistemáticas e cansativas reuniões onde, apenas alguns efetivamente trabalham e, os demais apenas estão presentes. Alie-se a tudo isto o fato das normas de gestão da qualidade, por exemplo, freqüentemente, requererem a adoção de trabalho em equipe com atuação de equipes multidisciplinares. E, o que temos visto é verdadeiramente um trabalho em equipe? O que seria então, o trabalho em equipe?

As áreas de recursos humanos não estão preparadas, via de regra, para ensinar a trabalhar em grupo. Nem mesmo elas conseguem fazê-lo. E muito menos as áreas de qualidade que têm requisitado (através das tais normas) que esta postura seja adotada e ocorra nas empresas. Tentam desta forma envolver as demais áreas através de reuniões / atividades de solução de problemas, análises de riscos, planejamento da qualidade, desenvolvimento de processos e outras tantas atividades. Trabalhar em grupo é uma competência que as empresas precisam prever no seu plano anual de treinamentos e, que devem realizar freqüentemente, assim como proporcionar o aperfeiçoamento contínuo dos seus funcionários.

Trabalhar em equipe ou grupo não requer necessariamente a presença de todos os membros do time num mesmo espaço físico a toda hora. Trabalhar em equipe, não obriga que todos os participantes façam obrigatoriamente as mesmas atividades durante horas e horas. Trabalhar em equipe não obriga a escolha de um líder que se posicionará como cobrador de ações que somente ele ou poucos se envolveram. Ou ainda, aquele que tem a incumbência de realizar sob sua batuta aquelas intermináveis e chatas reuniões que não contribuem em nada. Apenas nos proporcionam atrasos nas nossas atividades rotineiras e, nos tiram do planejamento do dia. E por conseqüência nos obrigam a ficar mais tempo no escritório – incluindo ai até mesmo os finais de semana.

Trabalho em grupo não é estar na sala apenas porque o chefe está escolhendo quem deve participar. É necessário que ele também seja pro ativo e oriente o que deve ser feito ou pelo menos o que espera do trabalho.

A visão do trabalho em grupo está sem duvida alguma enraizada na presença física de todos num mesmo ambiente, o tempo todo. Se isto não ocorrer acredita-se que nada será realizado. Aprendemos desta forma e, nunca paramos para pensar se poderia ser diferente. Aprendemos que todos devem discutir sobre tudo, incluindo aquilo em que não se tem conhecimento / competência para tal. É um processo de desconfiança implícita. Se a pessoa faz parte da equipe porque não poderíamos acreditar em seu trabalho? Por isto, é comum estarmos em reuniões de grupo e, não termos o que fazer, sabendo que na mesa de trabalho há um monte de atividades a serem realizadas. E o chefe também as está cobrando. Isto sem falar no cliente.

É sempre útil enfatizar que algumas reuniões que tratam de tudo talvez devam ocorrer. Em caráter eventual. Mas estas devem ser destinadas a propor / apresentar diretrizes e informações comuns a todos os participantes. As informações para os grupos específicos ou indivíduos devem ser apresentadas à parte, evitando-se assim a polarização e trabalho em dupla numa reunião de grupo. Mesmo quando a disponibilidade é adequada para falar sobre assuntos específicos, libere os demais.

Trabalhar em grupo é ter a clareza dos objetivos a serem alcançados. É ter certeza dos prazos a serem atendidos. Trabalhar em grupo é planejar o rumo a ser seguido por toda a equipe / time. E mais, trabalhar em grupo é dividir estas atividades e responsabilidades a serem realizadas com referencias claras do que deve ser feito. E, definir qual a dependência entre elas. Com isto as reuniões devem ocorrer para resolver as pendências e não para discutir o que fazer o tempo todo. Ou  para aprovar o que cabe a cada um dos participantes fazê-lo por sua atribuição. Desta forma as reuniões de trabalho com caráter improdutivo devem ser eliminadas do mapa e, devem ocorrer unicamente para esclarecer atividades, conjugar partes do trabalho, estabelecer diretrizes, comunicar novidades e decisões comuns. As reuniões devem ser minimizadas e, meios como intranet, telefone, e-mails devem ser utilizados para comunicar avanços, decisões menores ou que sejam de interesse de parte do grupo ou mesmo de alguns indivíduos participantes. Contatos e reuniões de duplas ou sub-grupos devem ser incentivadas e realizadas por iniciativa destes sempre que questões devam ser resolvidas entre estes. Não é necessário esperar a reunião geral para discutir particularidades e, deve-se lembrar que nem tudo é importante que todos saibam. Se esta política é necessária deve ser ter um meio de todos acessarem as informações – um diretório no computador central seria uma boa solução.

O papel do líder é coordenar todas as atividades, fazer o elo de ligação entre elas, orientar os indivíduos, encaminhar as atividades para as pessoas corretas, comunicar fatos relevantes, entre outros. As reuniões ocorrem somente quando necessário com todo o grupo e, podem ocorrer com parte do grupo envolvendo apenas aqueles que estão envolvidos. Incluindo-se aí. os grupos externos à tarefa, sub grupos ou até mesmo clientes ou fornecedores.

O mesmo raciocínio vale para trabalhos nos ambientes escolares e universitários. Os estudantes estão contaminados pela vivência das empresas e adotam modelos semelhantes ao utilizado pelas mesmas. Na verdade tudo se tornou senso comum. Todos acreditam que está correto e, ninguém pergunta por quê. Os trabalhos são realizados por uns poucos, a exemplo do ocorre nas empresas e, todos aceitam passivamente por não saberem como reconhecer, enfrentar e resolver ou mesmo propor outra alternativa. O círculo vicioso continua após a vida escolar ou acadêmica / universitária com estes mesmos alunos chegando ao mercado de trabalho, na condição de empregados destas empresas. E, desta maneira entendendo ser muito natural a realização de trabalhos em grupos de forma semelhante ou idêntica a que vivenciaram. E, mais uma vez, com poucos resultados.

O incrível desta estória toda é que, em qualquer destes ambientes sempre haverá uma sensação de trabalho não realizado, atividades em atraso, objetivos não atingidos ou não totalmente cumpridos. Sempre haverá uma sensação falsa de que fulano é interesseiro e por isto resolveu fazer tudo sozinho a seu modo. E este por sua vez, sempre estará reclamando que o time não colaborou. Em verdade, faltou diálogo, faltou liderança, faltou iniciativa, faltou motivação, faltou acima de tudo conceitos claros de como se trabalha em equipe. Não podemos admitir que uma pessoa ESTEJA líder, ela deve SER o líder. Por outro lado, não podemos admitir que uma pessoa participe de um grupo e não coloque seu conhecimento, experiências, interesses, disponibilidade em aprender e colaborar a serviço do grupo. E como colocar tudo isto para funcionar?

A adoção de equipes multidisciplinares requeridas nas normas de qualidade tem proporcionado muito mal entendido. Há um reforço constante de que todos devem estar juntos na mesma sala. É claro que se trata de um grande equivoco. O planejamento de um projeto (de qualquer natureza) deve ter, esta é a visão, condição de contemplar os diferentes pontos de vista ou seja, as interfaces e atividades que devem ser realizadas sob os mais variados aspectos devem se comunicar. Um plano de trabalho deve contemplar todas as particularidades e necessidades multidisciplinares que o grupo apontar. Tudo isto deve ser registrado, ordenado e, os responsáveis qualificados designados para executar. E para realizar, sabemos lá no íntimo, que muitas vezes é melhor estar sozinho. O caráter grupo indica apenas (se podemos assim dizer) que todos entenderam qual é o objetivo, qual é o problema e como farão para chegar lá e, qual é o prazo.

A esta altura podemos concluir que o que praticamos, seja na escola, na universidade, nos grupos sociais, nas empresas não se trata de trabalho em equipe e sim de trabalho junto. Infelizmente tem sido junto apenas na presença física ou cooperação de parte daquele que se intitula grupo e pelo quais as pessoas se reúnem. Ainda tem sido comum observar que as pessoas estão presentes, ouvem, anotam e não sabem o que fazer com a informação – mesmo que seja relevante a sua parte na tarefa – porque não compreenderam o todo ou simplesmente não lhes interessa mesmo. Os líderes precisam estar conscientes disto. E sempre haverá este tipo de situação que é natural do processo de trabalho. Agora você acredita que trabalha em grupo / equipe ou tem a certeza de que trabalha junto?

Esta é a primeira etapa de um trabalho que se pretende seja ampla e aprofundado sobre o tema trabalho em equipe. Ainda estamos nos passos iniciais. Nos estudos. Se você deseja colaborar com o aperfeiçoamento deste material, se você tem exemplos e casos para contar, se tem opiniões distintas, idéias a cerca do assunto ou apenas deseja se manifestar, envie e-mail para scanossa@uol.com.br.

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