Vou Estar Perdendo A Paciência

O “gerundismo” é um mal ainda impregnado no ambiente empresarial – mas existem inúmeras maneiras de corrigir com sutileza aquele seu colega que fala errado

Em poucos dias, o fogão que você comprou, novinho em folha, apresentou problemas de fabricação. O que fazer? Nada mais natural que ligar para o telefone de suporte do fabricante ou da loja onde foi comprado o produto. Resposta clássica do atendimento: “vou estar registrando o problema e estarei enviando um técnico à sua residência dentro de 24 horas”. A frase lhe parece normal ou uma ofensa? Eu, sinceramente, não sei se desligaria feliz por ter o problema resolvido ou se ficaria revoltado por esfaquearem a língua portuguesa.

A maioria das pessoas sabe que estamos diante de um típico caso de “gerundismo”. Gerundismo: vício de linguagem, uso excessivo e errôneo de verbos no infinitivo (“estar”) seguidos de verbos no gerúndio (“enviando”) para indicar o presente ou um futuro próximo. Não entrarei nos minuciosos estudos que envolvem nossa língua, mas é simples dizer que este tipo de construção é equivocado.

A origem do gerundismo, pelo que me lembro, vem da normatização e tradução de procedimentos e manuais de serviços de atendimento prestados em outros países. Quando implantados no Brasil, foram traduzidos ao pé da letra, sem que se analisasse a existência de um tempo verbal que transmitisse a mesma ideia em outro idioma. Expressões como “we will be fixing your telephone soon, sir”, que está correta em inglês, foi traduzida para “nós vamos estar consertando seu telefone em breve, senhor” – errada em português.

Repare que o erro é simples de corrigir: basta usar o futuro do presente do indicativo. Vejamos: “farei” é correto e substitui facilmente “vou estar fazendo”. “Enviarei” faz o mesmo sentido para “estarei enviando” – e assim por diante.

Não quero lecionar português, mas despertar a consciência de que a correção é rápida, indolor, e pode começar com a ajuda qualquer um. É bem provável que você tenha ao lado um colega no trabalho que fala errado e ninguém tem coragem de lhe corrigir. O problema, aliás, toma maior proporção quando ele fala assim com clientes.

Lembrete: expressar-se formalmente causa boas impressões e credibilidade para sua imagem e da empresa. Falar errado transmite exatamente o oposto.

Corrigindo com sutileza

Como grande parte dos feedbacks, a abordagem deve ser educada e calma. Nessas situações, é melhor se a pessoa que corrige tiver alguma intimidade com o colega. Assim, a chance de que o outro se ofenda é menor. É possível entrar no tema com frases como “preciso lhe falar coisa delicada, mas que é muito simples de resolver e é bem importante. Trata-se de um vício de linguagem…”. Existem inúmeras maneiras de corrigir com sutileza. Procure achar a que melhor parece com o seu perfil.

Se a outra pessoa souber apreciar críticas construtivas e retornos de seus colegas (o que acho sempre muito pertinente), ela agradecerá e passará a se policiar mais. Seja a aceitação positiva ou não, você fez sua parte e ajudou um colega. Economia de palavras para eles e harmonia para os nossos ouvidos. Bernt Entschev

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